Com baixos índices de desenvolvimento econômico e social, a região do Contestado — que abrange o Norte, Meio-Oeste e Planalto Serrano de Santa Catarina — poderá ser contemplada por um programa federal voltado ao crescimento regional.
A proposta, apresentada pelo deputado estadual Matheus Cadorin (Novo), também pode incluir municípios do Sul do Paraná.
A ideia foi lançada durante sessão itinerante da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) em Mafra, na última semana.
Inspirado no modelo da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), o projeto busca implementar políticas públicas específicas para reduzir desigualdades históricas e sociais ainda presentes nos municípios marcados pela Guerra do Contestado (1912-1916).

Segundo Cadorin, os reflexos do abandono histórico ainda são visíveis nos indicadores econômicos e sociais, que permanecem abaixo da média estadual.
Ele defende que a iniciativa seja tratada como reparação histórica, e não como benefício assistencial. Entre as ações previstas estão investimentos em infraestrutura, educação, turismo, segurança hídrica, inclusão social e valorização cultural, com foco no desenvolvimento local.
O parlamentar citou estudos que indicam que áreas afetadas por conflitos armados tendem a crescer mais lentamente e ressaltou que o mapa das localidades mais impactadas pelo Contestado coincide com os municípios de menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) em Santa Catarina.
A proposta inclui benefícios como isenção de até 15% no Imposto de Renda para empresas, prioridade no acesso a fundos de investimento e programas sociais, além de parcerias com instituições como BNDES, Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e Unesco. O financiamento viria, principalmente, de recursos federais — Cadorin lembra que menos de 20% do valor arrecadado em impostos em Santa Catarina retorna do Governo Federal.
A área beneficiada seria definida com base em critérios técnicos e históricos, indo do Planalto Norte ao Planalto Serrano catarinense.
O deputado também apoia a criação da Universidade Federal do Contestado, proposta por entidades locais para ampliar a formação de mão de obra qualificada.
A próxima etapa envolve reuniões em diversos municípios para ouvir lideranças e consolidar propostas, que serão reunidas em uma moção conjunta da Alesc e encaminhadas à bancada federal catarinense. O objetivo é apresentar o documento ao Governo Federal ainda no segundo semestre.
Cadorin também pretende dialogar com parlamentares do Paraná, já que cidades como Palmas e União da Vitória fazem parte do território contestado.