Aberta temporada de caça ao mosquito da Dengue

Calor e chuva contribuem para a criação de novos criadouros para o mosquito

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Atualizado há 13 anos

Por Mariana Honesko

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Herli e Wagner na análise: dias mais quentes e chuvosos aumentam preocupação (Mariana Honesko/Jornal O Comércio)

Os dias quentes e as chuvas rápidas agradam mas também preocupam. A época que reúne estes dois ingredientes deixa em alerta as equipes de combate à Dengue. De acordo com o Ministério da Saúde, mais de 500 municípios brasileiros estão em alerta e outra centena já decretou situação de risco.

Nas Cidades Irmãs o alarde não é tão expressivo, mas os números são incômodos. Em União da Vitória, segundo a Vigilância Sanitária (Visa), apenas neste ano quatro focos do mosquito transmissor, o Aedes aegypti, foram identificados. “Delimitamos os locais, mas nada mais foi encontrado”, comenta Wagner de Moura Santos, que chefia o trabalho dos 14 agentes envolvidos no combate à doença.

O mais recente foco foi encontrado nos meses de março, abril e maio, em quatro endereços. “No Cemitério Municipal, em uma residência ao lado dele, no Caps (Centro de Atenção Psicossocial) e no Bairro Rocio”, conta Santos. Os ovos estavam em vasos de flores e, no caso do bairro, em uma carcaça de um veículo. Em 1999 e mais tarde, em 2003, o mosquito transmissor da doença foi encontrado no município. Nenhum caso de doença, contudo, foi registrado. “Os sintomas são muito parecidos, mas no caso da Dengue é preciso ficar ainda mais atento”, sinaliza o responsável pelo departamento da Visa, Herli Daniel da Silva.

A multiplicação não depende da combinação de muitos fatores. O mosquito não é exigente. “Qualquer tampinha de garrafa pode ser um local”, ressalta o coordenador. “Nas cidades onde há infestação, a água nem precisa ser limpa. O mosquito já está se adaptando”, pontua. Por isso, diante de uma área tão expressiva, a comunidade precisa ajudar. Segundo a equipe de combate, a contribuição é mais simples do que se imagina. “Abrindo a porta para os agentes entrarem e vistoriarem. O pessoal tem muita resistência”, comenta o coordenador do programa.

dengueOs números confirmam a avaliação. Apenas neste ano, das quase 33 mil visitas feitas na cidade, 6% não foram efetivamente concluídas porque o morador não permitiu. “Eles dizem que a casa não tem nada de errado ou falam que alguém já havia passado na casa na semana passada. As desculpas são sempre as mesmas”, conta Santos. Diante do avanço da doença e das possibilidades de rápida expansão, o pedido é para que as portas sejam abertas. “Para Dengue o remédio é a prevenção”, defende. Nas casas, os agentes fazem uma “varredura” nas possibilidades. Além disso, eles dão orientações aos moradores sobre as maneiras que garantem menos mosquito e mais saúde.

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Porto União tem 102 armadilhas espalhadas na cidade e nos pontos estratégicos (Mariana Honesko/Jornal O Comércio)

Em Porto União, de acordo com a equipe que trabalha na vistoria dos imóveis, a recusa é bem menor. Até nos casos de denúncias os moradores sentem-se confortáveis para abrir as portas de casa. “Temos poucos casos de recusa”, confirma o agente ambiental Juliano Seger. No município, o último foco ocorreu no mesmo período de União da Vitória: foi em abril, no Bairro São Francisco. “E agora, com a chegada do Verão, nós intensificamos as campanhas. Contamos inclusive com a ajuda dos agentes de saúde para divulgar o trabalho”, explica.

Além das informações, Porto União adotou o modelo usado na maioria dos municípios catarinenses e também trabalha com armadilhas para captura do mosquito. Na cidade, há 102 “tocaias” e outros 42 pontos estratégicos de monitoramento. Cemitérios, borracharias, locais para reciclagem, funilaria e ferro-velho entram nesta lista.

Governo dobra investimentos em 2014

O Ministério da Saúde anunciou que vai investir mais de R$ 300 milhões como apoio para estados e municípios no combate à Dengue. A medida prevê mais incentivo às ações de vigilância, prevenção e controle da doença. A decisão em dobrar o incentivo é fruto do recente levantamento sobre o número de casos no País. Haverá ainda reforço na orientação da população e incremento na compra de produtos químicos para o combate. Neste ano foram notificados 1,4 milhão de casos prováveis de Dengue no País. O subtipo tipo 4, uma “novidade” na doença, respondeu por 60% dos casos.

Número é pequeno mas suficiente

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Larvas e mosquitos são focos para estudo na Vigilância Sanitária de União da Vitória (Mariana Honesko/Jornal O Comércio)

O Ministério da Saúde define o número de agentes que são necessários para cobrir uma determinada área. Pelo cálculo, um agente fica responsável para atender entre 800 e mil imóveis. Em União da Vitória, de acordo com o reconhecimento geográfico feito em 2011, havia 16.800 imóveis. Na proporção, o número de profissionais está dentro dos parâmetros. Já em Porto União, o número aparece reduzido. Por lá, apenas três profissionais atuam na fiscalização dos possíveis criadouros e lideram as campanhas de prevenção.

Dia “D” é amanhã

Para lembrar a importância do combate e da prevenção, profissionais de Porto União estarão na Praça Hercílio Luz, durante boa parte do sábado. Quem passar por lá receberá informações e pode tirar dúvidas sobre o assunto. Neste sábado, o “D” de combate à Dengue é lembrado.

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