
O assunto ainda é controverso e gera dúvidas até entre os pesquisadores científicos. O uso da maconha ou de seus derivados no tratamento de saúde, especialmente nos casos neurológicos, ainda é carente em comprovações, bem como na literatura médica. E foi justamente essa falta de subsídios que motivou a publicação de uma nota oficial da Academia Brasileira de Neurologia. O texto também foi enviado à redação do Portal Vvale.
Baseado em números e nos estudos que já se tem sobre a droga, o órgão se posiciona contrário, por enquanto, ao uso da maconha ou do canadibiol, principal componente não psicoativo da planta, em epilepsias de difícil controle. A redação afirma que a academia se solidariza com as famílias das crianças e adultos que tenham a doença. “Mas acredita que a segurança e eficácia do CBD (canadibiol) necessitam ser melhor estabelecidas por estudos bem conduzidos, uma vez que os dados disponíveis na literatura atual não preenchem os critérios científicos exigidos para que tal composto seja utilizado como medicamento de forma indiscriminada”, diz, em partes, o documento. A nota oficial ressalta também que o uso recreativo da maconha para epilepsia é completamente contraindicado.
Polêmica
Embora um tanto novo para muitos, o uso das drogas para fins terapêuticos não é tanta novidade assim. A Lei de Drogas, a 11.343, de 2006, já previa a autorização, à União, pelo “o plantio, a cultura e a colheita” de plantas que possam ser exploradas para a produção de drogas desde que, exclusivamente, para fins medicinais ou científicos. Na prática, isso ainda não ocorre. Tanto é que os medicamentos à base dos componentes da maconha ainda precisam ser importados. No Brasil, a discussão é inicial.
No campo médico, especificamente sobre a maconha, por exemplo, já existem estudos desde o século 19 que associam o uso da droga à demência e crise de pânico. O assunto é polêmico, deve gerar ainda muita discussão e já coloca médicos brasileiros na berlinda, com publicações em revistas cientificas sobre o assunto.
No final de novembro, o Portal Vvale mostrou a posição de alguns profissionais da saúde sobre o uso da maconha e seus derivados para tratamento médico. A opinião foi unânime e compartilha da posição da Academia de Neurologia: o uso pode ser favorável a partir de mais estudo. Já o consumo recreativo, que vicia, foi condenado pelos entrevistados.
“Os dados científicos até agora disponíveis permitem concluir que o canabidiol não tem o efeito milagroso para todas as formas de epilepsia mas poderá desempenhar um papel importante no tratamento de epilepsias muito difíceis, em casos específicos, ainda não definidos cientificamente” – nota da Academia Brasileira de Neurologia
