Por Poliana Gomes
O Conselho Tutelar é um órgão dispensável. Crianças e adolescentes podem sofrer todo tipo de violência, hostilidade ou discriminação. Podem trabalhar e sob quaisquer condições, não precisam estudar e bem como seus pais, nunca necessitam de escuta, orientação ou encaminhamentos. O Conselho Tutelar, afinal, é um “cabide de empregos”. Os conselheiros, satiricamente chamadas “monstros tutelar” (“Quero que você venha aqui dar um susto no meu filho”) pelo Consultor dos Direitos da Criança e do Adolescente, Luciano Betiate (2006), só servem mesmo para amedrontar as crianças que não recebem limites em casa e aliviar seus pais, que saem tranquilos por não precisar se sujar com o reizinho do lar agora domado.
Os conselheiros que em nosso município passaram por cursos, avaliação escrita, avaliação psicológica e eleição, além de atenderem os diversos pré-requisitos para candidatura, se submeteram a todas estas etapas mas ainda assim não são as pessoas mais indicadas para o cargo de acordo com uma infinidade de pessoas que se acreditam mais entendidas do assunto e estufam o peito para fornecer seu conhecimento tácito aos menos providos de bom senso. Espero realmente que todas essas ironias não passem despercebidas como tal. Ironia é uma forma de comunicação muito perigosa, especialmente em se tratando destes falsos intelectuais, especialistas em crítica seja lá sobre o que for, mas alérgicos a qualquer tipo de conhecimento real. Contudo, a ironia neste caso constitui-se uma bela forma de chamar a atenção dos desavisados, sedentos de novo repertório para suas críticas desembasadas.
O Conselho Tutelar funciona vinte e quatro horas por dia. Quando digo “dia”, leia-se finais de semana, feriados, datas comemorativas pessoais ou oficiais. A qualquer hora do dia ou da noite, alguém está de prontidão para atender as tantas emergências em que são envolvidos crianças ou adolescentes em nosso município. É importante salientar que os conselheiros são eleitos pela (escassa) população. Em União da Vitória, somente dois mil e oitocentos eleitores em média compareceram à última eleição para dar sua opinião da melhor maneira possível com relação a quem acreditavam merecer uma das cinco vagas para titulares. O voto não é obrigatório, mas a reclamação está na ponta da língua. Já deixou de ser um estereótipo, virou um hábito reclamar do Conselho Tutelar e seus integrantes.
Não é pertinente, não é ético, não é permitido, não é necessário e muito menos justificável que este órgão preste esclarecimentos com relação aos inúmeros casos atendidos diariamente. O público atendido é muito diverso, e mais diversas ainda as ocorrências na qual o Conselho está atuando, mas todas tem um fator fundamental em comum: merecem sigilo. Este órgão não tem direito e nem interesse em ceder às lamúrias de meios de comunicação ou de mal informados, usando a exposição de pessoas para que sejam compreendidas as razões do que se costuma denominar “não atendimento”.
Este “cabide de empregos” atua verdadeiramente, mas nos bastidores. Para assistir é preciso pertencer.
Poliana Gomes é acadêmica de Psicologia da Fundação Universidade do Contestado – FunC Porto União