O caso da troca de vacina para hepatite B por soro antibotrópico aplicado em 11 bebês que estavam na maternidade do Hospital Santa Cruz de Canoinhas (HSCC) na semana passada deve servir de base para um estudo inédito do Instituto Butantan, fabricante do soro.
Não há registro na literatura médica a respeito já que não há nenhum experimento feito com bebês.
A gestora do HSCC, Karin Adur, explica que cada um dos 11 bebês recebeu, erroneamente, 0,5 miligrama do soro, o que é uma quantia bastante insignificante.
Em nova nota à imprensa emitida nesta quarta-feira, 16, o HSCC explica que “se os recém-nascidos tivessem sofrido uma picada de cobra, receberiam o soro de acordo com o veneno inoculado, onde a dose a ser administrada seria de 20 a 40ml para sintomas leves, e até 120ml em casos mais graves, sendo estas as orientações do Centro de Informação e Assistência Toxicológica de Santa Catarina (Ciatox) e do Instituto Butantan – que fabrica a vacina e o soro – sendo que a dose administrada nos recém-nascidos foi de 0,5ml. Não existe risco de reações graves e moderadas.”
O JMais consultou a bula do soro antibotrópico. Logo no início consta que ele pode ter uso pediátrico. Porém, não há nenhuma menção específica a aplicação do soro em bebês. Sobre contraindicações, segundo a bula, elas “praticamente não existem, porém, a aplicação do soro antibotrópico (pentavalente) e anticrotálico deverá ser feita em condições de estrita observação médica pelo risco de reações alérgicas.” Até mesmo na gravidez é possível tomar o soro, desde que sob a supervisão de um médico.

A pedido da reportagem, o Butantan enviou nota:
“O Instituto Butantan lamenta o ocorrido no hospital de Canoinhas e se solidariza com as famílias envolvidas. O Instituto esclarece que a correta armazenagem e administração desses produtos são de responsabilidade das unidades de saúde que realizam a aplicação.
A padronização dos rótulos e embalagens de vacinas e soros distribuídos pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) é definida pelo Ministério da Saúde (MS), independentemente do fabricante.
O soro antiofídico mencionado possui baixo índice de contraindicações, conforme descrito em bula. Ainda assim, por se tratar de um produto de uso específico, cabe à vigilância municipal garantir o acompanhamento médico adequado dos bebês.”
PAI
O JMais conversou, com um dos pais dos bebês. Everton Massaneiro Figura disse que, apesar de assustado, confia que nada mais grave vai ocorrer. Ele se disse preocupado com a profissional que aplicou a vacina.
A enfermeira teria sido muito solícita e teria prestado um excelente atendimento, segundo ele, inclusive, naquele dia o bebê teria se engasgado com fórmula específica para recém-nascido e essa mesma profissional desafogou o bebê.
“Foi uma coisa muito bonita o que ela fez. À noite ela se preocupou em fazer uma lavagem no estomagozinho do nosso bebezinho para que ele pudesse mamar melhor. Ela nos ajudou muito. Erros acontecem e esperamos que (este) não tenha maiores consequências”, disse.
Das 11 famílias, nove são de Canoinhas, uma de Papanduva e uma de Bela Vista do Toldo. Duas estudam ingressar com ação judicial contra o HSCC.