
O Conselho Federal de Medicina (CFM) divulgou no início deste ano as novas regras para quem deseja realizar a cirurgia bariátrica, aquela que “reduz o estômago”. Na realidade existem três tipos de procedimentos, a mais comum no Brasil é a mista. Nesse procedimento o paciente emagrece mais rápido, mas não sofre tanta restrição alimentar pela diminuição do estômago.
Conforme o gastroenterologista Ricardo Monte Junior, cada paciente é um caso único e o modelo aplicado em um pode não ser o mais adequado para o outro. “A cirurgia é um processo invasivo. Quando os métodos não invasivos – dietas – não funcionam é aplicado o invasivo”, explica.
Até chegar à sala de cirurgia o procedimento pré-operatório é longo e pode ser, às vezes, maçante. O paciente precisa se consultar com uma série de especialistas, o que torna a cirurgia bariátrica um procedimento “multiprofissional’, pois envolve psicólogos, nutricionistas, gastroenterologista clínico e os cirurgiões. Num procedimento conveniado o valor, somente da cirurgia, pode variar entre R$ 8 e R$ 10 mil. Não estão incluídas as consultas, exames, medicamento e acompanhamento pós-operatório. Mas, para compensar a espera é menor, entre 3 a seis 6 meses. Já pelo Sistema Único de Saúde (SUS) a fila de espera para esse tipo de cirurgia é extensa e o tempo entre marcar e realizar exames ou consultas, até chegar ao centro cirúrgico, pode durar de 1 a 2 anos. Contudo, não há gasto algum por parte do paciente.
Monte Júnior garante que tanto no particular quanto no público o procedimento será o mesmo, já que esse tipo de cirurgia é realizado, somente, em centros especializados e precisa reunir uma equipe grande de especialistas. Lembrando que o Brasil é considerado referência quando o assunto é bariátrico. “É o país que mais opera no mundo. O Brasil tem muito mais experiência em bariátrica”, comentou.
Ainda segundo o especialista o número de obesos cresce num ritmo acelerado. A tradicional combinação de feijão, arroz, bife e salada já não é tão nutritiva para os brasileiros. Os condimentos e industrializados estão sendo mais companheiros na hora da alimentação. “Tudo o que tem gordura, fritura é mais saboroso e dá mais saciedade ao organismo”, explica.
Outro agravante da obesidade é o stress e falta de rotina e comprometimento. “A alimentação controlada de três em três horas é importante porque mostra para o organismo que o corpo não precisa guardar energia por tanto tempo, porque eu vou comer daqui três horas. Agora, se a pessoa fica sem comer por 12 horas o corpo retém toda a energia porque sabe que você não vai comer por um longo período”, explica o especialista. A dica é se programar e se não consegue sozinho pode colocar a tecnologia para trabalhar. “Eu não tinha costume de comer num período de três em três horas e para não esquecer eu coloquei o celular para despertar”, lembra.
Essa falta de planejamento na hora da “fome” também é uma das principais causas para o paciente passar por um novo procedimento bariátrico. Conforme Ricardo esse tipo de cirurgia já é comum entre os ex-obesos.
É burocrático, mas necessário
Com o peso de 140 quilos e com uma lista de problemas de saúde, Cesar Soares, de 36 anos, decidiu por um ponto final em todo o sofrimento que é ser “gordinho saliente”, como ele mesmo define. “Porto União da Vitória é minha testemunha. Passei a vida lutando contra a balança e o efeito sanfona”, conta Soares. O jornalista mora no Rio de Janeiro, mas é natural de Bituruna e quando estava pela região chegou a emagrecer. Na época manteve um peso ideal, mas há três anos seu peso dobrou. “Tenho apneia, hérnia de disco, pressão alta, colesterol, gordura no fígado, depressão, sinto cansaço excessivo e tive a bactéria h.pylori”, enumera.
Essa última, Cesar precisou fazer um tratamento mais rigoroso. Ela é uma bactéria que vive no estômago e duodeno, sendo responsável pela mais comum infecção bacteriana crônica em seres humanos. Estimativas sugerem que mais 50% da população mundial possui o estômago colonizado por essa bactéria. O modo de contágio ainda não é plenamente conhecido. Sabe-se que a transmissão pode ocorrer de uma pessoa contaminada para uma pessoa sadia através do contato com vômitos ou fezes, este último geralmente sob a forma de águas ou alimentos contaminados.
Há dois meses Cesar vem se preparando para a cirurgia. Ele sabe que os riscos são grandes, mas prefere encarar e ter uma qualidade de vida melhor. “Não é fácil, são vários médicos, psiquiatra, psicólogo, endocrinologista, nutricionista, gastro, cirurgião geral, dezenas de exames. Todos têm de dar um laudo aprovando que você pode operar”, conta.
O processo todo está sendo pago por um plano de saúde e, mesmo assim, Cesar desembolsa, todo mês, cerca de R$ 2 mil no pré-operatório. “Sei que corro risco, mas em função da genética estou fazendo isso também. Meu pai teve AVC, diabetes e morreu de câncer de próstata. Minha mãe está com câncer também, leucemia”, fala. “Estou tentando cortar o mal pela raiz.”
Até chegar à mesa de cirurgia Cesar ainda tem mais alguns passos para seguir no pré-operatório. No entanto, o pós-operatório exigirá mais do paciente. “Tenho ciência que isso será o ponta pé inicial. Preciso mudar meus hábitos, minha vida, minha rotina. Na minha cirurgia, por exemplo, o estômago é reduzido em 97%. Então com base a tudo em todas as tentativas que já fiz na minha vida, vou fazer a bariátrica”, desabafa.
O jornalista espera perder 50kg e chegar aos tão saudáveis 90 quilos. A cirurgia, segundo ele, pode ser realizada em seis meses.
INDICAÇÕES
– Diabetes
– Apneia do sono
– Hipertensão arterial
– Dislipidemia
– Doenças cardiovasculares (incluindo doença arterial coronariana, infarto de miocárdio, angina, insuficiência cardíaca congestiva, acidente vascular cerebral, hipertensão e fibrilação atrial, cardiomiopatia dilatada)
– Cor pulmonale e síndrome de hipoventilação
– Asma grave não controlada
– Osteoartroses
– Hérnias discais
– Refluxo gastroesofageano com indicação cirúrgica
– Colecistopatia calculosa
– Pancreatites agudas de repetição
– Esteatose hepática
– Incontinência urinária de esforço na mulher
– Infertilidade masculina e feminina
– Disfunção erétil
– Síndrome dos ovários policísticos
– Veias varicosas e doença hemorroidária
– Hipertensão intracraniana idiopática (pseudotumor cerebri)
– Estigmatização social e depressão.