A pandemia de gripe de 1918 causou mais de 25 milhões de mortes em menos de 25 semanas. Algo semelhante poderia acontecer novamente hoje? Em meio a pandemia de medo que vem se instalando no decorrer dos dias, algumas boas notícias devem ser compartilhadas, como protótipos de vacinas e ensaios clínicos de remédios para combate do Covid-19.
1 – Sabemos o que é o vírus
Os primeiros casos foram relatados na China ainda em dezembro de 2019, e já no começo de janeiro havia sido identificado, e o genoma já estava disponível. O novo coronavírus do grupo 2B, é da mesma família que a Sars, por isso é chamado de SARSCoV2. A doença é chamada de Covid-19. Ela está relacionada ao coronavirus de morcegos, e as análises genéticas confirmam que a origem animal é recente. Embora o vírus sofra mutações, sua frequência não é muito alta.
2 – já se sabe como detectá-lo
Desde janeiro o teste de RT-PCR que serve para detectar o vírus já está disponível para todo mundo, e nos últimos meses, os testes já foram aperfeiçoados e tiveram a sensibilidade es especificidade avaliada.
3. Na China, a situação está melhorando
As medidas de controle e isolamento por lá, estão gerando resultado. O número de casos diagnosticados diminui a cada dia.
Já em outros países, o acompanhamento epidemiológico está sendo realizado de forma detalhada, o que permite que eles sejam controlados mais facilmente.
4 – A maioria dos casos são leves
Em 81% dos casos a doença não causa sintomas, ou eles são de forma mais leve. Em 14% dos casos, ele pode causar pneumonia, e apenas em 5% ele pode ser fatal.
5 – Cura
Apesar do número crescente de casos infectados confirmados, e de morte, pelo coronavirus, já existem pacientes curados. Há 13 vezes mais pacientes curados do que infectados, e a proporção desse números vem aumentando.
6 – Quase não afeta menores
Menores de 20 anos são apenas 3% dos casos, e a mortalidade em menores de 40 anos, é de apenas 0,02%.
Nas crianças, os sintomas são leves e muitas vezes podem passar despercebidos.
7. O vírus é facilmente inativado
O vírus pode ser inativado das superfícies com uma solução de etanol (álcool 62-71%), peróxido de hidrogênio (água oxigenada a 0,5%) ou hipoclorito de sódio (lixívia a 0,1%), em apenas um minuto.
A lavagem frequente das mãos com água e sabão é a maneira mais eficaz de evitar o contágio.
8 – Já existem mais de 160 artigos científicos sobre o vírus
Em pouco mais de um mês, 164 artigos já podem ser consultados no PubMed sobre covid-19 ou SARSCov2, além de muitos outros disponíveis nos bancos de artigos.
São trabalhos preliminares sobre vacinas, tratamentos, epidemiologia, genética e filogenia, diagnóstico e aspectos clínicos.
Esses artigos foram preparados por cerca de 700 autores espalhados pelo planeta.
9. Já existem protótipos de vacinas
Já existem mais de oito projetos contra o novo coronavírus. O que pode prolongar seu desenvolvimento são todos os testes necessários de toxicidade, efeitos colaterais, segurança, imunogenicidade e eficácia na proteção. É por isso que se fala em vários meses ou anos, mas alguns protótipos já estão em andamento. Alguns desses protótipos serão testados em breve em humanos.
10 – Existem mais de 80 ensaios clínicos com antivirais em andamento
São antivirais que foram usados para outras infecções, já aprovados e que sabemos que são seguros.
Um dos que já foram testados em humanos é o remdesivir, um antiviral de amplo espectro, ainda em estudo, que foi testado contra Ebola e Sars/Mers. É um análogo da adenosina que é incorporado na cadeia do RNA viral e inibe sua replicação.
Outro candidato é a cloroquina, um antimalárico que também possui atividade antiviral potente. Sabe-se que bloqueia a infecção aumentando o pH do endossomo necessário para a fusão do vírus com a célula, o que inibe sua entrada.
Está provado que este composto bloqueia o novo coronavírus in vitro e já está sendo usado em pacientes que tiveram pneumonia devido ao vírus.
Lopinavir e Ritonavir são dois inibidores de protease usados como terapia antiretroviral que inibem a maturação final do vírus da Aids. Como a protease SARSCov2 demonstrou ser semelhante à do HIV, essa combinação já foi testada em pacientes com coronavírus.
Outros estudos propostos são baseados no uso de oseltamivir (um inibidor da neuraminidase usado contra o vírus da gripe), interferon-1b (proteína com função antiviral), anti-soros de pessoas já recuperadas e anticorpos monoclonais para neutralizar o vírus. Já foram sugeridas novas terapias com substâncias inibidoras, como a baricitinibina, selecionadas mediante inteligência artificial.
*Ignacio López-Goñi autor deste artigo é professor de microbiologia na Universidade de Navarra, Espanha, e seu artigo original apareceu em The Conversation.
Essa matéria foi publicada originalmente no site da BBC Brasil (https://www.bbc.com/portuguese/geral-51736012?ocid=wsportuguese.chat-apps.in-app-msg.whatsapp.trial.link1_.auin)