Embora a alegria de ter um filho supere qualquer outro sentimento de felicidade, nem tudo são flores quando o assunto é maternidade. Lá se vão as horas longas de descanso, o cabelo em dia, a maquiagem sempre pronta, a despreocupação com o futuro. Já nos primeiros meses de vida do pequeno, as mamães ainda enfrentam a recuperação do corpo após o parto, encaram as alterações hormonais e, muitas, as dores da amamentação.

Se por um lado é uma “benção” ter leite, as dores da sucção podem ser terríveis e, em casos sérios, gerar mastite. Conforme a ginecologista e obstetra Ademari de Mattos Leão ela é a principal doença entre quem amamenta. Mas, a boa notícia, é que dá para prevenir. “Orientando sempre para que o recém-nascido faça uma boa pega na mama, não provocando fissuras e ingurgitamento. O ingurgitamento é quando a mama fica muito cheia de leite dificultando a saída, provocando dor e eventualmente até febre”, recomenda a médica.
E se tudo isso fracassar, é importante procurar ajuda profissional. “A mastite deve ser tratada com antibiótico adequando e medicação para dor. Em alguns casos a mastite pode evoluir para abscesso e neste caso devemos proceder a drenagem, que é a retirada da secreção com anestesia e incisão”, alerta Ademari. Vale lembrar que mesmo com dores, o aleitamento precisa continuar: ele garante o esvaziamento das mamas e impede o aumento do “empedramento” do leite.
De maneira silenciosa e sem sintomas aparentes, a depressão pós-parto aparece na sequência dos principais problemas entre as mamães. Normalmente ela dura poucos dias mas, caso se prolongue, precisa ser tratada. “A mulher sente-se triste sem motivo e culpada por se sentir triste, com alteração de apetite e sono, desânimo, desejo de isolar-se. Atualmente existem muitos medicamentos seguros que podem ser utilizados durante a amamentação”, diz.
Em terceiro lugar, aparecem as infecções puerperais. Na prática, infecção no período pós-parto. “Sempre que houver febre, dor abdominal e sangramento vaginal com odor fétido, deve se procurar auxílio médico”, observa Ademari.
Quem não tem filho, também pode ter problemas
Infecções vaginais, cólica menstrual e sangramento vaginal irregular são os problemas mais comuns entre as mulheres sem filhos ou que já tem filhotes grandinhos. Todos têm tratamento e prevenção. Aliás, neste contexto, a prevenção é uma obrigação de todas: o exame Papanicolau. Ele é fundamental especialmente para a detecção de alterações do colo do útero. “É de fácil prevenção e já foi um dos cânceres mais comuns no Brasil. Trata-se de uma doença silenciosa até que esteja em estágio bem avançado”, lembra a médica.
E na menopausa?
As mulheres que já estão nesta fase enfrentam problemas menos graves, porém, desagradáveis. É o caso, por exemplo, do famoso calorão. Sim, ele realmente existe e tecnicamente é chamado de “fogacho”. Acompanham este sintoma também processos de insônia, irritabilidade e irregularidade menstrual. “E após os 35, 40 anos, existe um aumento na incidência de câncer de mama. Devemos acompanhar paciente com histórico de câncer de mama na família à partir dos 35 anos com mamografia e ecografia mamária. Fazendo diagnóstico precoce o tratamento é muito menos agressivo e com probabilidade de cura muito maior”, reforça Ademari.
“Mamaço” é no dia 3 de agosto
Organizado pelas assistentes sociais da Secretaria da Saúde de Porto União, a quinta edição do Mamaço acontece no próximo mês, no dia 3. Dessa vez, será no salão da Igreja Luterana de Porto União, a partir das 14 horas. O evento é aberto ao público, especialmente para quem amamenta.
O “Mamaço” incentiva a alimentação dos bebes com o leite pelo menos, até os seis primeiros meses de vida. O evento integra a Semana Mundial de Amamentação.