A postagem de uma vizinha de um menino em idade escolar comoveu a internet e chamou a atenção da Saúde do Município.
“Venho por meio desta pedir ajuda para um menino do nosso município, Canoinhas, que está enfrentando um quadro grave de saúde. A família já foi atendida na UPA e no posto de saúde, mas foi orientada a retornar para casa, mesmo com a piora significativa do quadro. A pele da criança está extremamente inflamada, com feridas, e agora as unhas estão começando a cair. A situação está se agravando a cada dia”, postou Silmara Xavier.
Segundo a vizinha, a família precisa de um encaminhamento para uma avaliação especializada, “pois a mãe está pagando as consultas com uma dermatologista de forma particular, mas isso não está resolvendo. Não se trata de uma simples alergia. A criança está sofrendo e precisa de atendimento adequado e de uma investigação aprofundada. Pedimos encarecidamente que as autoridades de saúde olhem com mais atenção para este caso e providenciem o encaminhamento necessário com urgência. É uma questão de saúde e dignidade.”
A situação iniciou há sete meses. Camila conta que procurou a Unidade de Pronto Atendimento, Hospital Santa Cruz e postos de saúde, e, em geral, o caso era tratado como sarna. Um mês depois do início dos sintomas, ela decidiu pagar uma consulta particular, com uma dermatologista que fez o diagnóstico de dermatite atípica e iniciou um tratamento com medicamentos. Pouco depois, a Secretaria de Saúde chamou Camila para fazer fotos das erupções na pele do filho que seriam enviadas para uma análise especializada em Florianópolis. Em seguida, o menino foi direcionado a uma consulta com o dermatologista do SUS que, segundo Camila, cortou todos os medicamentos receitados pela médica, mantendo apenas um corticoide. “A doutora (médica particular) ficou brava, então optamos por ficar só no particular, até porque o médico do SUS acompanharia o caso uma vez por mês, já a particular vê ele de 15 em 15 dias”. Apesar dos tratamentos diferentes, ambos os médicos concordam com o diagnóstico.
O corte dos medicamentos, contudo, só piorou a situação. “Ele viciou no corticoide por causa das altas doses. Agora, a médica particular está diminuindo a dose para o corpo voltar a aceitar o corticoide. O problema só aumentou, apareceu nos pés, barriga e a cabeça sangra”. Agora, o menino precisa consultar um neurologista para entender o porquê dos sangramentos na cabeça e convulsões que passou a ter.
Camila se queixa do alto custo de manter o menino consultando de modo particular e pede ajuda ao Município.
CONTRAPONTO
O Município encaminhou a seguinte nota sobre o caso:
“A Secretaria de Saúde está prestando todo o apoio necessário. O menino consultou com clínico geral e realizou consulta dermatológica presencialmente. Nesta quarta consultou novamente na unidade de saúde e de lá saiu com a medicação. O menor tem consulta agendada com neurologista nesta quinta-feira, 5, e outra consulta com dermatologista também já agendada para os próximos dias.”
A mãe diz que a consulta com o dermatologista só foi agendada depois da repercussão do caso. Nesta quarta, conselheiras tutelares estiveram na escola do menino e o levaram para outra consulta com clínico geral.
“Sobre o Conselho Tutelar: é um órgão independente, não sendo de competência do Município a gestão da equipe. Lembramos que as conselheiras, inclusive, foram eleitas por voto popular”, conclui o Município.
O Conselho Tutelar não comenta casos envolvendo menores atendidos pela instituição.
