
Foto: Divulgação
O prestígio dos fogos de artifício, usados em comemorações como o réveillon, anda meio em baixa. Mesmo assim, os “foguetes” ainda são presença obrigatória em qualquer festa de ano novo. Faltando pouco mais de 24 horas para a virada, muitos procuram casas especializadas no material explosivo para deixar a festa de réveillon completa. No entanto, os Bombeiros lembram que é preciso ter cuidado na hora de manusear os artefatos para não causar acidentes como queimaduras e explosões. E os médicos pedem atenção redobrada neste dia. Para muitos, além de ser dinheiro jogado fora, os fogos são um perigo para quem manuseia e também para terceiros.
Movimentos de defesa animal condenam os foguetes, rojões, bombas, que apavoram cães e gatos. “Aquele material pirotécnico, visual, não atrapalha, mas os explosivos como foguetes e rojões são o terror dos cachorros e gatos”, revela a protetora independente Marlene Goulart. Para Marlene, antes só se ouviam foguetes em festas juninas, dia da padroeira e ano novo. “Agora é em jogo de futebol, natal, aniversário ou só para zoar mesmo’, reclama. “Sem contar que é dinheiro jogado fora, não tem graça nenhuma correr esse risco e perder dinheiro”, completa Marlene.
Já os Bombeiros estão preocupados com as queimaduras e mutilações. O comandante do Corpo de Bombeiros do Paraná, coronel Juceli Simiano Junior, diz que a compra dos fogos deve ser realizada em lojas credenciadas, que garantam a qualidade dos produtos. Na hora de soltar, os locais fechados, com muitas pessoas ao redor ou próximos à rede de energia, devem ser evitados. “Outra dica muito importante é seguir as instruções contidas na embalagem. O manuseio de forma alguma pode ser realizado por uma criança e a distância para explodir os fogos com segurança é de 30 a 50 metros. Se os fogos não estourarem, nunca tente reaproveitá-los”, explica Simiano Junior.

Foto: Divulgação Corpo de Bombeiros/PMPR/SESP
O secretário de Saúde de União da Vitória, Maurício Schewinski, alerta que ingestão de bebida alcoólica e fogos não combinam. Para a queima de rojões o festeiro deve usar um suporte adequado e o mantenha fora do alinhamento do seu corpo, bem como sua projeção inclinada para uma área segura, que haja cuidado redobrado com o efeito retardado. “Os fogos podem falhar temporariamente; se isso acontecer considere o artefato ativo. Além disso, não se deve acender bombas na mão, mas utilizar uma base segura. Não coloque o artefato em bolsos”, completou Schewinski.
Já o Secretário de Saúde de Porto União, Jair Giraldi, ensina que em caso de queimaduras, procure aliviar a dor imergindo a parte afetada em água potável e se necessário procure imediatamente auxílio médico. “Não solte rojão em qualquer lugar, procure um lugar aberto para soltar os fogos de artifício. Não lance fogos de artifício junto às redes de eletricidades. Próximo de residências também não é aconselhável”, disse. Giraldi também recomendou que não se utilize fogos em locais onde há perigo de incêndio. “Também nunca solte dentro de canos, caixas de esgoto, recipientes de vidro e afins”, alertou. E atenção: caso estiver com pessoas próximas, peça-as para que se afastem e nunca solte em direção a ninguém. “Recomenda-se atenção especial com as crianças; desta forma, estaremos educando cidadãos para o futuro, bem como preservando nosso bem maior: A família”, concluiu o secretário.
Perigos para a audição

Foto: Divulgação
Humanos sabem bem os danos que os fogos podem causar à audição. O som muito forte produzido por alguns deles pode acarretar trauma acústico e perda de audição uni ou bilateral, temporária ou, nos casos mais graves, irreversível. Geralmente a perda de audição é unilateral (em um único ouvido) e se inicia com o aparecimento imediato de zumbido, problema que afeta cerca de 28 milhões de pessoas em todo o mundo. Os danos à audição acontecem porque o estrondo dos fogos, principalmente dos rojões, é inesperado. O forte ruído, que pode chegar a uma intensidade de 140 decibéis, percorre todo o ouvido de forma rápida, atingindo as células da cóclea. Para se ter uma ideia do quão forte é esse barulho, um avião durante a decolagem produz um som de 130 decibéis.
Estima-se que 10% da população mundial têm algum grau de perda de audição. O envelhecimento é um fator natural que reduz o limiar auditivo progressivamente. As células do ouvido envelhecem, morrem e não há reposição. Mas pior do que isso é a perda de audição que vem ocorrendo cada vez mais cedo, por causa da exposição contínua a sons elevados, no dia a dia, ou em festas com fogos e rojões. Mas quem sofrem mesmo são os animais, com o ouvido mais sensível que os humanos, os traumas podem ser grandes e irreversíveis.