Fundos do desafio do “balde de gelo” ajudam no estudo da ELA

Campanha que viralizou em 2014 levanta recursos para importante descoberta sobre a doença

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Atualizado há 10 anos

O desafio do balde de gelo, que fez sucesso em 2014, conseguiu arrecadar fundos para a identificação de um novo gene que contribui para a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA). A pesquisa desenvolvida pelo MinE, um projeto internacional para analisar o genoma de 15 mil pessoas com doenças do neurônio motor, foi publicada na revista especializada Nature Genetics. Trata-se do maior estudo a respeito da ELA hereditária, que envolveu mais de 80 pesquisadores em 11 países que procuraram pelo gene da doença em famílias afetadas.

GrXXficoXELAA identificação do gene NEK1 abre caminho para que os cientistas desenvolvam uma terapia genética para o tratamento da doença. Apesar de a forma hereditária da ELA afetar apenas 10% dos pacientes com a doença, os pesquisadores acreditam que a genética contribui com uma porcentagem muito maior dos casos.

A campanha do balde, que estimulava pessoas a compartilharem vídeos do momento em que jogavam baldes de água gelada em si mesmas, tinha o objetivo de conseguir doações para a instituições de caridade ligadas a doenças do neurônio motor. Deu certo. O desafio foi criticado, mas arrecadou US$ 115 milhões (mais de R$ 377 milhões) e financiou seis projetos de pesquisa.

Neuroligista de São Paulo analisa descoberta

Beny Schmidt, profissional que atua em São Paulo nesta área, falou ao “Agora Comunicação”, sobre a descoberta, bem como sobre o fundo arrecadado. “Existem duas maneiras de se enxergar isso. A primeira é que em casos como este a mídia mostra sua potência e poderia, por exemplo, no Brasil, se preocupar mais com a educação e com iniciativas deste tipo, tendo em vista a sua força de indução na nossa sociedade. A segunda interpretação é de que quase meio bilhão de dólares foi empregado na identificação do gene NEK1. Porém não se sabe quanto desse dinheiro foi aplicado nos tratamentos de todos estes pacientes: fisioterápico motor, fisioterápico respiratório, fonoaudiólogo e assim por diante”, diz.

Para ele, a qualidade de vida do paciente em tratamento é ainda mais importante do que o custeio de novas descobertas. “Esse é o único objetivo da ciência em relação à saúde: melhorar a nossa vida”, encerra.

Sobre a ELA

Também conhecida como doença de Lou Gehrig, é um mal neurodegenerativo progressivo e fatal que afeta uma em cada 400 pessoas. Sua causa ainda é desconhecida. A doença afeta o cérebro e a coluna, ataca os nervos que controlam o movimento e impede o funcionamento dos músculos. A ELA pode deixar o paciente preso em um corpo que não funciona, sem conseguir se mover, falar e, com o avanço da doença, respirar.

Caso de paciente foi mostrado em O Comércio

Há algumas edições O Comércio mostrou o fim do drama vivido pela moradora de Porto União, Valci Correia. Aos 53 anos, ela perdeu a luta para a ELA. Morreu, depois de três anos de intenso tratamento.

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