Homem doa sangue 74 vezes e recebe homenagem

Amarildo Ribas Gomes participa das campanhas desde 1990. Valor da doação de sangue é lembrado no Dia Nacional do Doador

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Atualizado há 13 anos

Por Mariana Honesko

Doadores foram homenageados pela equipe do Banco de Sangue: recordes que salvam vidas
Pedreiro Amarildo Júlio Ribas Gomes (Fotos: Mariana Honesko/Jornal O Comércio)

Todos os anos o pedreiro Amarildo Júlio Ribas Gomes, de 48 anos, visita o Banco de Sangue de União da Vitória. Na verdade, anualmente ele repete o mesmo caminho quatro vezes. A rotina é a mesma desde 91, quando começou a doar sangue. De lá para cá, não parou mais. “Na época eu trabalhava em uma empresa que incentiva a doação. Comecei a doar e não parei mais”, sorri. Neste período, o destino provou ao homem o valor da doação. “Meu filho também precisou de sangue”, lembra. “Não pude doar na ocasião, mas outra pessoa salvou a vida dele”, completa. Gomes, que se transformou em um defensor da causa, recebeu ontem, durante as homenagens do Dia Nacional do Doador de Sangue, o reconhecimento pela atitude. “Faça o bem sem olhar a quem”, ensina.

Histórias de amor ao próximo e ao voluntariado foram narradas durante a cerimônia promovida pelo Banco de Sangue. O evento, que contou com as presenças de diversas autoridades, entre elas o prefeito de Porto União, Anízio de Souza, e de Porto Vitória, Marisa de Fátima Ilkiu de Souza, que também assina a presidência do Consórcio Intermunicipal de Saúde do Vale do Iguaçu (Cisvali), marcou o mês que atraiu mais doadores. “A partir do momento em que cada um dá seu sangue, contribui para que mais vidas sejam salvas”, disse Marisa em um breve pronunciamento.

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Altair Garrafa

Foi justamente por acreditar no poder da doação que ontem o microempresário Altair Garrafa, de 38 anos, entrou para a lista dos doadores. “Vim pela campanha que foi feita neste mês e também por incentivo da minha igreja”, explicou o homem que é fiel na Igreja Quadrangular. Aos 44 anos, a cozinheira Ivone Zaboroski, também procurou o banco no Dia Nacional do Doador. “Vim de Paula Freitas só para doar”, sorri. Doadora desde os anos 90, Ivone também está no ranking de quem doa com frequência. “A doação é importante. Eu venho ao banco a cada três, quatro meses”, conta.

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Ivone Zaboroski

O espírito voluntário, contudo, ainda não é suficiente para o atendimento da demanda que a região assistida pela unidade tem. “Apenas 2% da população doa e aqui temos cerca de 2.400 cadastros”, aponta o bioquímico Alessandro Savi. Para atender aos padrões da Organização Mundial da Saúde (OMS), cuja sugestão é para que 5% da população doe sangue em prol da demanda, a região da Associação dos Municípios Sul Paranaense (Amsulpar), deveria ter, ao menos, quatro mil doadores.

É por isso que neste mês a campanha teve destaque especial. “Comemoramos o mês todo, fizemos a campanha para incentivar a doação”, comenta a secretária executiva do Cisvali, Silvia Andrade. Segundo ela, o número aquém do esperado é fruto, entre outras coisas, do não compartilhamento com o perfil exigido aos doadores. “Mesmo não sendo tão restritivo”, pondera.

Boa saúde e peso adequado estão entre os itens exigidos. Idade também conta e é justamente ela que quase barrou João de Almeida. Ontem, ele doaria sangue pela última vez. Aos 67 anos, sua doação seria impedida por conta de sua data de nascimento. Mas, com a mudança na legislação, João deve visitar o Banco de Sangue pelos próximos dois anos. “Tenho um maço assim de papel em casa, de tantas doações que eu fiz”, conta, sem saber dizer exatamente quantas vezes já doou.

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Doadores foram homenageados pela equipe do Banco de Sangue: recordes que salvam vidas

A tarde de homenagem também motivou outras doações. Agradecida pelos gestos provocados pelos voluntários a professora aposentada Lili Kampmann Grando levou chocolate para deixar mais doce a contribuição de quem ajuda. A senhora é vitima da síndrome de Mielodisplasia, que atinge a Medula Óssea. Lili depende de reposição sanguínea com frequência e para agradecer a ajuda, levou caixas de bombom aos doadores. O gesto, simples e modesto, foi aceito com comoção.

Neste ano, a campanha liderada pelo Banco de Sangue defendeu o lema “Estenda o braço à vida” como tema da campanha.

Investimentos

Neste ano o Banco de Sangue trabalha com inovações. Recentemente, a sexta-feira também foi aberta à doação. Antes, ela ocorria apenas de segunda à quinta. Além disso, uma tabela, que demonstra o quadro de necessidade das tipagens sanguíneas, foi colocada já na entrada da unidade. Hoje, inclusive, o pedido é por doadores que tenham sangue tipo “AB Negativo” e “B Negativo”.

Demanda aumenta no final do ano

As festas, viagens, cirurgias já marcadas exigem um bom estoque de sangue. A exigência é maior também porque é justamente nesta época que o número de doações caem. Em Santa Catarina, segundo com os dados do Hemocentro do Estado (Hemosc), 110 mil doações foram feitas neste ano, mas ainda faltam 20 mil bolsas para o atendimento da demanda.

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