O que para muitos passa despercebido, para outros pode ser um grande desafio diário: o barulho.
Seja o som de móveis sendo arrastados, um cachorro latindo, ou até o vizinho usando aspirador, pessoas sensíveis ao ruído relatam irritação, ansiedade e até sintomas físicos diante de sons comuns do dia a dia.
Estudos apontam que entre 10% e 40% da população mundial sofre com essa condição, chamada de sensibilidade ao ruído.
Diferente de diagnósticos como misofonia (aversão a sons específicos, como mastigar) ou hiperacusia (percepção exagerada de volume, causando dor), a sensibilidade ao ruído é caracterizada por uma reação intensa e generalizada a diversos sons, mesmo em níveis considerados normais.
Impactos na saúde
Pesquisas mostram que a sensibilidade vai além do incômodo momentâneo. Pessoas afetadas relatam pior qualidade do sono, estresse constante, aumento da pressão arterial e até maior risco de desenvolver ansiedade, depressão e doenças cardíacas.
Um estudo realizado no País de Gales com mais de 2 mil homens identificou que aqueles mais sensíveis ao barulho apresentavam índices mais elevados de transtornos de ansiedade e depressão ao longo dos anos. Outra pesquisa na França revelou que moradores próximos a aeroportos, incomodados com o ruído de aviões, classificavam sua saúde de forma mais negativa.
O que acontece no cérebro?
Pesquisadores descobriram que o cérebro de pessoas sensíveis ao ruído reage de forma diferente: enquanto indivíduos sem a condição filtram sons irrelevantes, os mais sensíveis apresentam atividade cerebral elevada mesmo diante de ruídos inofensivos.
Há indícios de que fatores genéticos podem estar envolvidos, mas também que a exposição constante a ambientes barulhentos contribui para o desenvolvimento do problema.
Possíveis soluções
Apesar de não haver um tratamento específico, existem estratégias que podem ajudar:
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Planejamento urbano: cidades na Bélgica e França já adotam medidas como paredes acústicas em rodovias, zonas de silêncio em parques e incentivo ao transporte por bicicleta.
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Uso de recursos individuais: tampões auriculares, fones com cancelamento de ruído e ambientes preparados para minimizar sons externos.
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Terapias: a terapia cognitivo-comportamental tem mostrado resultados positivos em pessoas que desenvolvem ansiedade ligada ao barulho. Terapia musical e arteterapia também aparecem como alternativas.
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Medicação: em alguns casos, o tratamento de transtornos associados, como ansiedade, pode reduzir o impacto da sensibilidade.
Segundo especialistas, reconhecer a condição e levar a sério suas consequências é fundamental.
“Por muito tempo, a sensibilidade ao ruído foi considerada apenas uma característica pessoal. Hoje sabemos que ela pode comprometer de forma significativa a saúde física e mental”, destaca o neurocientista Daniel Shepherd, da Universidade de Tecnologia de Auckland, na Nova Zelândia.