Por Mariana Honesko

Especialmente desde o final de fevereiro, as queixas sobre a falta de medicamentos na Rede Pública de Saúde de União da Vitória tornaram-se mais evidentes. Conforme a Secretaria de Saúde, a ausência de parte dos medicamentos é natural. O órgão mantém um elenco para distribuição, mas parte do que é receitado pelos médicos não está entre os itens cedidos gratuitamente. “Neste elenco temos o que é comprado com verba do município, do estado e do governo Federal”, explica a secretária Ivone Calgarotto. “Mas sabemos que não damos conta totalmente do que os médicos receitam”, completa.
Uma das reclamações envolve a distribuição dos medicamentos do programa Hiperdia, que trata hipertensos e diabéticos e é um dos que reúne um maior número de pacientes. Nestes casos, até que o elenco se torne estável na rede pública, a orientação da secretaria é para que as farmácias comerciais sejam procuradas, especialmente por quem depende da ingestão contínua de medicamentos. Boa parte delas oferece os medicamentos gratuitamente, dentro do que prevê a política Federal. “Com o cartão SUS e inscrição na farmácia, o paciente pega e não paga nada. É um avanço do governo, que oferece mais locais, para que a pessoa não precise ir apenas à farmácia do SUS”, enfatiza Ivone. Em União da Vitória, sete estabelecimentos oferecem a bandeira “Farmácia Popular”.

Até a estabilidade da distribuição, pacientes que dependem de medicamentos de uso contínuo podem procurar as farmácias comerciais que tenham a bandeira “Farmácia Popular”. Ele é composto por 39 itens e o mais caro é comercializado por pouco mais de R$ 10, como é o caso, por exemplo, da caixa de insulina, que custa R$ 11, mas alcança os R$ 40 na rede comercial sem o programa. A maioria dos medicamentos tem valor ainda menor e podem ser levados para casa por menos de R$ 3.
De acordo com a secretaria da Administração de União da Vitória, 25% do orçamento são investidos na área de Saúde: o valor é 10% superior ao que estipula a legislação.
Faltou remédio em 2013
Em setembro, a falta de medicamentos era mais grave. Na ocasião, desde agosto, pacientes da rede municipal de saúde tinham dificuldades para encontrar alguns dos medicamentos distribuídos gratuitamente. A então Fundação de Saúde (Fusa) havia dito que o caso não era isolado e que afetava outros municípios da região e até do estado, ora de forma mais severa, ora de modo discreto. As queixas denunciavam a falta de medicamentos do Hiperdia e do tratamento de doenças assistidas na saúde mental.
Na época, a ausência era fruto da renovação do contrato entre as três esferas do governo, participantes da formação do elenco de remédios, com o consórcio de compras do medicamento. Houve corte de recursos – em torno de R$ 20 mil – pago no rateio das despesas para a compra.
As fatias do bolo na compra dos medicamentos
Governo Federal
Investe R$ 5,10 por habitante
Governos Estadual e Municipal
R$ 2,36
Investimento para União da Vitória
Cada esfera participante da montagem do elenco desembolsa quase R$ 100 mil por ano para a compra de medicamentos