
É uma campanha que promove, acima de tudo, a solidariedade. Afinal, basta um gesto simples para garantir a chance de uma nova vida para quem realmente precisa. Essa é a bandeira da campanha “A União traz a cura”, idealizada pelos integrantes das campanhas #tamojuntoMichel e Movimento Foco Força e Fé, dos guerreiros Marcos e Michel, pacientes internados na capital para a realização do transplante de medula óssea.
Conforme Anna Rhinow, uma das apoiadoras e difusoras da proposta em União da Vitória, a campanha busca tirar dúvidas de possíveis doadores, ajudar quem está passando pelo tratamento e, até, encontrar doadores. A mobilização tem oito voluntários, a maioria jovens que tiveram câncer. “Queremos salvar vidas, o maior número possível! Realizamos palestras humanitárias para conscientizar as pessoas da doação de medula, sangue, cabelo e lenços, e mostramos que viver com o câncer é possível”, explica Anna.
A sede da campanha é em Curitiba, mas o projeto acontece em todo lugar e, por isso, busca sempre mais apoiadores da causa. “Quanto mais cadastrados, melhores as chances de os pacientes serem curados já que a cada dez mil pessoas cadastradas, apenas um paciente encontra seu “par perfeito”. Quando todo mundo se conscientizar e fizer a sua parte, vidas serão salvas, e esse é o único jeito. Ninguém pode fazer por você, ninguém pode ir no teu lugar, e cada dia é único para quem está no hospital esperando um doador, cada dia é uma espera angustiante sem saber do amanhã”, diz a voluntária.
Anna fala com propriedade. Aos 19 anos, a estudante de fisioterapia já tem muita história para contar. Seu primeiro contato com o câncer foi aos 11 anos, quando descobriu ter linfoma de Hodgkin. “Na época nem o nome eu sabia pronunciar, não fazia ideia de como seria minha vida, mas segui em frente”, sorri. Seguiu, fez quimioterapia e radioterapia e encontrou a cura. Mas, aos 16 anos, a doença a encontra de novo. “O ‘dito cujo’ do linfoma quis me fazer uma visita de novo. Diz que estava com saudades”, conta, com bom humor. Anna voltou para as sessões e para a incerteza do transplante de medula óssea. Como milhares de pacientes, ela também está na lista de quem espera o transplante. Está feliz, animada e pronta, com a saúde em dia, para receber de braços abertos a doação de um herói.
Dá para ajudar

Embora focada em Curitiba, a campanha quer abraçar cada vez mais voluntários. Por isso, quem está no interior do Estado também pode se engajar na causa. Basta, como ensina a campanha, ter boa vontade. Quem mora nas Cidades Irmãs tem mais facilidade para ajudar.
É que o Banco de Sangue apoia a causa. Então, é só procurar a unidade, que fica no centro, e manifestar o desejo de ter o nome inscrito no Redome, um cadastro nacional, vinculado ao Instituto Nacional do Câncer (Inca) e que se comunica com outros 140 países. “Para fazer o cadastro de doador de medula é preciso que a pessoa tenha entre 18 e 54 anos. No banco, vamos coletar quatro mililitros de sangue, uma ‘seringuinha’. Estes dados serão colocados no registro de doadores”, explica a enfermeira responsável da unidade, Daiane Rodrigues.
A disponibilidade do nome para o mundo garante o encontro de compatibilidade entre quem doa e quem precisa. “Porque a chance é de uma em cem mil. É uma loteria”, diz Daiane. Mas, há ganhadores. No ano passado, uma doadora de União da Vitória pode ajudar um paciente da Suécia. Em maio, outra voluntária foi compatível com o perfil de uma criança brasileira, de dois anos. “O cadastro é feito uma vez na vida e a partir de feito, é só torcer por conseguir ajudar”, sorri a enfermeira.
O procedimento
A pessoa compatível, quando o é, é contatada pela equipe do Banco de Sangue. Aí, começam os exames. A doação de medula pode ser feita de duas maneiras. A mais comum é pela pulsão na bacia – e não na coluna. O outro procedimento se parece com uma doação de sangue. Ambos são seguros, sem riscos e não dependem sequer de internamento hospitalar.