Transmissão de Hantavirose exige atenção na região da Amsulpar

Cruz Machado registrou os únicos casos do Paraná em 2021

(Ronaldo Mochnacz)

O município de Cruz Machado recebe, desde o dia 29 de novembro, um trabalho de campo de vigilância em hantavirose. Nesse período, técnicos da Vigilância em Saúde da 6ª Regional de Saúde de União da Vitória e da Secretaria de Saúde do município receberam capacitação por referências técnicas da DVVZI, DVDTV e CIEVS pertencentes a Secretaria de Saúde (Sesa) do Paraná e do Laboratório de Biologia e Parasitologia de Mamíferos Silvestres Reservatórios (LABPMR) do Instituto Oswaldo Cruz/Fundação Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), com participação da Coordenação Geral de Vigilância de Zoonoses e Doenças de Transmissão Vetorial, e o apoio técnico do Instituto Carlos Chagas (ICC/FIOCRUZ) do Paraná.

A intenção é dar continuidade às ações de vigilância de roedores envolvidos no ciclo de transmissão da Hantavirose registrado em agosto de 2021 quando a Sesa confirmou dois casos positivos da Hantavirose no município de Cruz Machado. Um foi na linha Encantilado e o outro na linha Rio da Areia. Outros dois casos suspeitos estavam localizados na linha Palmital e em outro ponto da linha Rio da Areia. Sendo também o primeiro caso da doença registrado no Paraná em 2021.

Ambos os casos confirmados tiveram evolução para cura, evidenciando a necessidade de um estudo epidemiológico no local. Posteriormente foram registrados mais dois casos positivos no Estado, um em Rio Azul e outro em Paranaguá.

(Ronaldo Mochnacz)

A vigilância eco-epidemiológica da hantavirose implica que sejam realizadas atividades no local provável de infecção (LPI) dos casos humanos, com vistas a realizar o diagnóstico de infecção por hantavírus nos roedores, identificar as espécies de roedores prevalentes e, entre estas, determinar o provável reservatório e a variante de hantavirus circulante nos ambientes investigados.

Com base nisso, está sendo realizada a vigilância ativa e sistemática dos casos humanos e dos reservatórios (roedores) da Hantavirose em diferentes regiões do Paraná, a fim de prevenir a ocorrência de casos e óbitos pela doença nas localidades investigadas.

Para o Ministério da Saúde, a realização desta atividade pela equipe da SESA-PR, mostra a importância da doença para o Estado, ao mesmo tempo que reforça a necessidade de conhecimento desta para auxiliar no monitoramento e prevenção, além de ampliar o número de profissionais capacitados para lidar com a doença, muitas vezes se tornando referência.

(Ronaldo Mochnacz)

Para o LABPMR/IOC/FIOCRUZ a realização de uma vigilância eco-epidemiológica, associada a correta identificação taxonômica e conhecimento dos hábitos dos roedores hospedeiros, podem propiciar uma melhor compreensão do ciclo silvestre de hantavírus na região, auxiliando as ações de prevenção.

O Chefe de Divisão da DVZI da Sesa, Emanoel Marques da Silva, explica o processo de eco- vigilância epidemiológica que está sendo realizado na região.

“É um fator extremamente importante para que a gente possa definir as melhores ações para prevenir a doença e com isso evitar este agravo que tem uma uma morbidade bastante alta”.

A chefe da 6ª Regional de SaúdePaula Fernanda Krzyzanowski, comenta a importância de realizar a pesquisa na região.

“Somos uma região de maior importância para essa doença em todo o Brasil e eles vieram com o intuito então de ficar uma semana aqui conosco. Fizeram a captura já dos animais, vão fazer toda a análise, toda a catalogação de tudo que for encontrado aqui em Cruz Machado. Esse trabalho é voltado para o treinamento dos profissionais da saúde, que em seguida devem orientar a população sobre quais são as doenças existentes na região, quais as formas de tratamento, tudo que a gente possa reverter a favor da nossa saúde e de todos da região”, explica.


O que é Hantavirose?

As Hantaviroses são doenças zoonóticas agudas, transmitidas mais frequentemente pela inalação de partículas virais que ficam no ar vindas da urina e fezes de roedores infectados. De maneira geral, as atividades agrícolas (trabalho na lavoura), domésticas (limpeza de ambientes fechados e varredura de peridomicílio) ou de lazer (pesca e ecoturismo), que estejam associadas à exposição a roedores e/ou suas fezes, constituem os principais fatores de risco para as infecções por hantavírus.

Casos de hantavirose também estão associados à biologia dos roedores silvestres, principalmente quando do aumento de sua densidade populacional, o que varia conforme as estações do ano e decorre de fatores, como competição, alterações climáticas, predação e período de procriação. Daí a importância da realização da pesquisa eco-epidemiológica dos roedores em localidades com casos confirmados de hantavirose.

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