
No início deste mês foi aprovado na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) um Projeto de Lei (PL) de autoria do deputado estadual Wilmar Reichembach (PSC), que prevê a implantação de centros de zoonoses nos municípios sede das Regionais de Saúde da Secretaria de Estado da Saúde (SESA). A aprovação foi unânime e o PL segue, agora, para a mesa do governador Beto Richa para que possa começar a ser executado nas Regionais de Saúde.
Com o projeto de lei, União da Vitória seria uma das 22 Regionais de Saúde espalhadas pelo Estado que receberiam o centro. O objetivo é controlar o número de cães e gatos nas cidades, proteger animais domésticos que sofrem maus tratos e também inibir a disseminação de pragas e doenças que envolvem essas populações e podem atingir humanos. Conforme a médica veterinária da 6ª Regional de Saúde em União, Lili Berri, as doenças zoonoses somam um pouco mais de 300 tipos, e boa parte delas o conglomerado da Saúde Pública municipal já cuida. Como é o caso do Setor de Proteção do Animal, que é de âmbito municipal mas trabalha em parceria com a Regional e Vigilância Sanitária. Há quatro anos a Defesa trabalha com o controle populacional de cães com as campanhas de castração – elas são gratuitas e ocorrem regularmente em clínicas cadastradas pelo setor – e, também, com as campanhas de adoções. Segundo a coordenadora, Marlene Jakubiw, o município já saiu na frente com essas ideias, no entanto, o PL é válido. “O nome “centro de zoonoses” não se assemelha nem de longe com os centros conhecidos historicamente pelos serviços que agrediam o animal. O centro é mais uma forma de controle da população e de doenças”, completa.

Conforme o chefe da 6ª Regional, Henrique Cesar Guzzoni, o projeto está dividido em dois momentos. O primeiro é de aprovação, o próximo passo será a busca de recursos para construção de sedes próprias, bem como a disponibilidade de recursos para manter os centros. “Vai ter de procurar uma área para a construção, contratação de pessoal, ver se a execução depende de recursos só do Estado ou do município e a área federal também podem ajudar”, explica. Mas isso deve ser discutido quando a votação do orçamento do Estado para o exercício 2016 for a pauta, que acontece em setembro na Alep.
Contudo, até que o centro seja implantado, é mais fácil que o Canil de Passagem, outro projeto que diz respeito aos cuidados dos animais, seja finalizado.
Canil de Passagem
O Canil é uma ideia antiga da Defesa do Animal e começou a “caminhar” em agosto passado, quando houve a interdição da ONG Koala. Na época foi firmado um acordo entre Setor de Defesa do Animal e Prefeitura de que o canil seria construído, no entanto, até sua inauguração medidas paliativas e os cuidados em lares temporários seriam intensificados. O que, na prática, acontece até hoje. A demora na construção do Canil deixou o assunto abafado por um tempo, mas não reduziu as ações do Setor de Defesa do Animal, que trabalha intensamente nos bastidores.
A coordenadora Marlene Jakubiw adiantou em entrevista ao jornal O Comércio, no mês passado, que da sua parte o serviço já está concluído. A planta, o layout e o projeto da defesa do animal estão prontos, o que resta agora é a aprovação no Conselho de Medicina Veterinária, que está marcada para este mês. “Eles têm de nos dizer quantos animais vamos poder receber, já que o Conselho não vai mais permitir a permanecia de animais em canil no Brasil todo”, comentou.
Ainda conforme Marlene o Canil será para recuperação do animal. “Eles vão chegar, vamos cuidar, tratar, fazer a castração e depois colocar para adoção”, explicou. “Não é um depósito de animal”, disparou. A intenção é implantar três modelos de atendimento, aquele que o animal chega é tratado e devolvido; o cão comunitário e aquelas que vão para um lar temporário. Hoje, o atendimento de cão comunitário funciona com cinco pessoas cadastradas, outras cinco recebem os pets em lares temporários.
O terreno para a construção do espaço tem cerca de 1.500 metros quadrados e fica na nova Área Industrial da “Invernadinha”. O processo licitatório para o início da obra ainda não foi finalizado. Quem cuida dessa parte burocrática é o secretário de Meio Ambiente, Sidnei Cieslak, que também auxilia na criação do canil.
Outra frente emergencial comandada pelo conglomerado da Saúde Pública local, é o trabalho de controle da raiva, que é realizado pela Vigilância Sanitária. Nesse caso o escritório local faz parte de um projeto que prevê a coleta de dez cães mensalmente para fazer estudos e saber se a região ainda está livre do vírus, que desde 1980 não é registrado por aqui.
CCZ
O Centro de Controle de Zoonoses é responsável pela prevenção e controle de zoonoses e doenças transmitidas por vetores no município, e para isso realiza o controle das populações animais. Atualmente, o CCZ realiza controle de animais sinantrópicos e peçonhentos; vistoria Zoosanitária; vacinação Anti-rábica de Cães e Gatos; projeto de Castração de Cães e Gatos; programa de Controle da Dengue; verificação de Reclamações; acompanhamento de notificações de acidentes por agressão anima e monitoramento de Zoonoses.
FONTE: Agência Estadual de Notícias/PR