Usuários cobram mais agilidade dos serviços de emergência

Falhas na comunicação entre os setores dificulta encontro do atendimento adequado

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Atualizado há 13 anos

Por Mariana Honesko

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Samu Porto União

Os minutos entre o pedido de ajuda e o socorro, podem durar muito mais quando a comunicação entre os serviços não é exata. O contador, Maximiliano Lopez Leidscham, acredita que isto pode ter custado a vida de seu avô. Aos 81 anos, o idoso Egon Leidscham não resistiu à espera e faleceu em casa, possivelmente vítima de um infarto. O idoso morreu há uma semana. “Minha irmã estava em casa quando ele caiu ao ir ao banheiro. Ela me ligou e eu fui para casa. Neste tempo ela já estava tentando ligar para o Samu”, conta.

Segundo o contador, as ligações feitas para o Samu, via celular, não eram completadas. Da telefonia fixa, elas caiam em Joinville, base do serviço. “E eles alegavam que não conseguiam transferir a ligação”, conta. Na busca por ajuda, Maximiliano ligou também para o Corpo de Bombeiros. De novo, a tentativa foi frustrada. “Os bombeiros disseram que teria que ligar para o Pronto Socorro”, explica. De novo, mais uma ligação foi feita. “Mas lá queriam saber um monte de coisas antes de socorrer ele”, explica.

Um enfermeiro da unidade foi até a casa do avô de Maximiliano. Vendo a gravidade do problema, pediu que o neto ligasse novamente para o Corpo de Bombeiros. “Liguei de novo, mas quando chegaram meu avô já estava morto”, lamenta. Desde a primeira ligação até a constatação da morte do idoso, o contador acredita que gastou cerca de 30 minutos ao telefone. Para ele, tempo suficiente para salvar uma vida. “Acredito que isso custou a vida do meu avô porque antes de chegar o enfermeiro, ele ainda falava, pedia ajuda, explicava o que estava sentindo”, recorda.

A secretaria de Saúde reconhece as falhas do serviço e aponta a localização da base do serviço como responsável pelos erros. A reportagem de O Comércio fez o teste e por três vezes não teve a ligação completada. O secretário de Saúde, Jair Giraldi, admite que existam erros, porém, garante que o sistema é eficiente. Como vantagem, aponta a aplicação dos medicamentos já ao longo do trajeto entre a ocorrência e o hospital. Em outros modelos, o modelo só ocorre nas próprias Unidades de Saúde. “O médico inclusive caracteriza se é emergência ou não”, ressalta Giraldi. “O Samu é de fundamental importância”, completa.

Em Porto União, a unidade é de Atendimento Básico. Em outras cidades do Estado, porém, há versões mais equipadas, com Unidade de Terapia Intensiva (UTI) móvel, por exemplo. As básicas, contudo, não ficam sem assistência. “O médico pode fazer até a transferência da Unidade Aérea do Samu, quando houver essa necessidade”, enfatiza o secretário de Saúde. Em Porto União, o Samu foi criado em 2006 e conta com uma equipe de 12 profissionais. Na parceria de funcionamento, é o município quem cede os funcionários para o trabalho.

Maioria dos atendimentos é pré-hospitalar

Bombeiros - 1
Richard Saas

O telefone do Corpo de Bombeiros de Porto União toca em médica dez vezes por dia. Do outro lado da linha, os pedidos são parecidos. A maioria, garante o comando, é pré-hospitalar. As chamadas são atendidas e atendem o que a constituição estadual prega. “É uma atribuição do Corpo de Bombeiros fazer este tipo de atendimento”, explica o comandante da corporação, Richard Sass Braum. A lista de socorros é ampla e varia de fraturas e hemorragias, comuns em acidentes, por exemplo, à mal súbito, como alteração nos níveis de pressão e paradas cardíacas e respiratórias. “Em média, demoramos até um minuto para sair da corporação e atender a ocorrência’, revela Braum.

O 193 é independente e os pedidos da região caem diretamente na central, em Porto União. É na guarnição que os atendimentos são avaliados pela equipe de plantão. Com exceção dos casos clínicos, passíveis de atendimento nas Unidades Básicas de Saúde, inclusive captura de animais selvagens e peçonhentos, são atendidas pela companhia. “E mesmo assim, em 2012, mais de mil casos clínicos foram atendidos por nós”, lembra o comandante.

Ligações ainda são confusas

Ao ligar para o serviço do Samu em Porto União, o usuário ainda encontra algumas barreiras. Como está em uma cidade limítrofe, o sistema precisa “entender” onde é a ocorrência. Como alternativa, oferece dois dígitos – o 2, para União da Vitória e o 4, para Porto União – para facilitar o atendimento. Mas, de acordo com o secretário de Saúde, o atendimento é apenas para o município catarinense. “Tem a opção porque Porto União tem o mesmo prefixo de União da Vitória”, justifica Giraldi.

Câmara aprova unificação de emergência

Projeto aprovado recentemente pela Câmara dos Deputados em caráter conclusivo prevê a unificação dos números de emergência. O texto, que deve ser enviado ao Senado se não for recusado, estabelece que ao discar 190, além da central da Polícia Militar, o usuário pode fazer contato ainda com o Corpo de Bombeiros, Defesa Civil, serviços de saúde e Polícia Federal. Como justificativa o autor do projeto, o deputado Antônio Carlos Mendes Thame (PSDB/SP), pede mais comodidade para quem precisa de ajuda mas não sabe exatamente quem procurar. “Hoje o usuário é obrigado a decorar uma variedade de números, cabendo-lhe o ônus de selecionar apropriadamente o serviço mais adequado à sua necessidade do momento”, justificou o deputado.

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