
Desde fevereiro de 2019, Porto União não registra nenhum assassinato. O fato, que orgulha as entidades civis e militares, foi pontuado inclusive em uma recente reunião da Câmara de Vereadores local. Conforme o delegado regional da Polícia Civil, Nilson Luis de Oliveira Cesar, o caso registrado no começo do ano passado, já foi apurado. “Os autores foram presos e já condenados pelo Tribunal do Júri”, conta Nilson Luis.
A marca de zero homicídios é relevante, mesmo na espiral decrescente de situações. Estudos mostram que entre janeiro e agosto de 2019, os crimes violentos caíram 22%. Mas, eles ainda preocupam: afinal, estima-se que 144 pessoas são assassinadas no País todos os dias. Para o delegado, não registrar homicídio é fruto de um trabalho em conjunto. Não se trata, defende ele, de uma exclusividade da Policia Civil. “É uma série de fatores. O trabalho operacional da Polícia Civil, mas também isso envolve as pessoas que trabalham na nossa cidade, as características sociais, além de todo o trabalho da Policia Militar, o Instituto Geral de Pericias, além da atuação integrada com o Ministério Público e Poder Judiciário, por exemplo”. E essa união de forças deu resultados em tempo curto. Em 2018, cinco homicídios foram registrados em Porto União. Em janeiro de 19, um. De acordo com o delegado, todos os casos foram resolvidos.
Até quando? A pergunta sobre a duração da estabilidade negativa dos casos é esperada pelas equipes de segurança pública. De novo, o delegado fala em trabalho conjunto e atribui à prevenção, o maior sucesso do registro histórico.
“Pessoas envolvidas com o crime, foragidas, podem novamente se envolver em crimes. A gente está tirando criminosos de circulação e precisamos das denúncias e do trabalho de todos os órgãos integrados”, ressalta.
Investigação
Em Porto União, a solução de um crime acontece especialmente por parte de um departamento específico, a Divisão de Investigação Criminal (DIC), que fica sob o comando da 23ª Delegacia Regional. “Imediatamente após o homicídio, a Policia Civil é acionada e já se colhe todas as provas para a investigação. Isso é juntado no inquérito e encaminhado para o Ministério Público iniciando a ação penal”.
Além dessa massa, outras iniciativas públicas de monitoramento também tentam flagrar – ou inibir – os crimes. Em Porto União, conforme o comando da Polícia Militar, o projeto ‘Bem-Te-Vi’ mantém câmeras em funcionamento. Elas estão divididas em pontos estratégicos dos bairros e centro.
Cidades médicas, com pouca violência
Levantamento feito em 2018 e publicado pela Revista Exame, elencou as cidades mais pacatas – no quesito violência – do Brasil. Oito dos dez municípios menos violentas estavam naquele ano, na região Sudeste. O ranking foi formulado pelo Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública com dados de 2016.
De acordo com a sondagem, que considerou os municípios com mais de cem mil habitantes, a exceção é Brusque, em Santa Catarina, que registrou taxa de homicídio de 4,8 mortes para cada grupo de cem mil habitantes, e Jaraguá do Sul, também em SC, que ficou em terceiro, com taxa de 5,4.
Dividindo o topo do ranking das cidades mais pacíficas está Atibaia (SP), que segue em segundo lugar com uma taxa de 5,4 mortes a cada cem mil pessoas. Das dez primeiras, seis estão no estado de São Paulo e duas em Minas gerais.
Você leu em O Comércio
Em outubro de 2019, O Comércio trouxe na capa matéria especial que teve a resolução dos crimes como mote. Lembra?