Ação antiterrorismo prende 10 suspeitos no Brasil

Polícia afirma que grupo “Defensores da Sharia” planejava ação durante a Olimpíada

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Atualizado há 10 anos

Brasília - Após reunião com o presidente em interino, Michel Temer, o ministro da justiça, Alexandre de Moraes, fala com a imprensa sobre a segurança nas Olimpiadas. (Antônio Cruz/ Agência Brasil)
Ministro: Grupo Terrorista era uma célula absolutamente amadora do Estado Islâmico. (Foto: Divulgação/MJ).

Pelo menos dez pessoas foram presas em dez estados brasileiros em uma operação sigilosa de combate ao terrorismo na manhã de ontem. A informação foi confirmada pelo Ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, em entrevista coletiva concedida em Brasília. Segundo Moraes, foram as primeiras prisões no Brasil com base na recente lei antiterrorismo, sancionada em março. “Essas foram também as primeiras detenções por suspeita de ligação com o grupo terrorista Estado Islâmico, que atua no Oriente Médio, mas tem cometido atentados em várias partes do mundo”, afirmou o ministro.

As prisões, segundo o Ministério da Justiça, ocorreram no Amazonas, no Ceará, na Paraíba, em Goiás, no Mato Grosso, em Minas Gerais, no Rio de Janeiro, em São Paulo, no Paraná e no Rio Grande do Sul, informou a assessoria do Ministério da Justiça. O governo e PF não divulgaram os nomes dos suspeitos e nem para onde eles foram levados depois da prisão. O grupo se autodenominava Defensores da Sharia, lei que é baseada no Alcorão, o livro sagrado do Islamismo, e na biografia do profeta Maomé, considerado o mais devoto dos seguidores, cuja vida inspirou estudiosos a reunirem os princípios, conhecido como “hadith”.

Chefe do grupo é paranaense

Ainda segundo o ministro o suposto chefe do grupo é de Curitiba. Um dos presos foi detido na área rural do município gaúcho de Rolante, em uma localidade chamada de Açoita Cavalo. Ele tem 26 anos. A 14ª Vara da Justiça Federal do Paraná expediu 12 mandados de prisão temporária por 30 dias, sendo que as detenções podem vir a ser prorrogadas por mais um mês. A Justiça também expediu dois mandados de condução coercitiva, que é quando a pessoa é obrigada a ir prestar depoimento, além de 19 mandados de busca e apreensão.

Em entrevista coletiva concedida em Brasília no final da manhã de ontem, Alexandre de Moraes anunciou que a PF já havia cumprido 10 dos 12 mandados de prisão. Ele destacou que os dois alvos da operação batizada de “Hashtag” que ainda não tinham sido presos estavam no “radar” dos policiais e que, provavelmente, seriam detidos nas próximas horas. Cada um dos suspeitos foi preso em um estado diferente.

Célula amadora

Moraes relatou na entrevista concedida na sede do Ministério da Justiça que “hoje [ontem], culminou na primeira operação que teve como alvo uma suposta célula terrorista no Brasil. Foram presos dez indivíduos”, informou. Os suspeitos presos ontem vinham sendo monitorados pela PF há alguns meses. O Ministro da Justiça explicou ainda que os alvos da Operação Hashtag foram presos porque passaram dos comentários em redes sociais e mensagens de texto para “atos preparatórios” para atentados terroristas.

O ministro disse na coletiva que alguns dos suspeitos presos ontem chegaram a prestar um juramento, via internet, ao Estado Islâmico. Essa espécie de “batismo“, de acordo com o ministro, foi feito sem que eles tivessem sequer conversado pessoalmente com integrantes do grupo terrorista. O ministro observou ainda que nenhum dos detidos viajou para fora do país para encontrar com representantes do grupo terrorista.

Sem contato com o EI

Segundo Alexandre de Moraes, é possível concluir, com base nas informações dos serviços de inteligência brasileiros, que o suposto grupo terrorista era uma “célula absolutamente amadora” do Estado Islâmico, porque não tinha “nenhum preparo”. O ministro citou como exemplo mensagens do suposto chefe do grupo de que era necessário aprender artes marciais e atirar com armas. O grupo não tinha contato pessoal, e só se falava pelos aplicativos WhatsApp e Telegram. Além disso, quando o líder dava as ordens, “cada um tinha que cuidar de si”. Ele enfatizou ainda que, por se tratar uma de “célula desorganizada”, a questão da segurança pública “é muito mais importante e gera mais preocupação do que o terrorismo”.

ABIN divulga nota oficial

Em junho, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) havia confirmado a informação de que pessoas ligadas ao Estado Islâmico criaram um grupo para trocar mensagens em português, através de um aplicativo de celular. Na ocasião, o órgão emitiu nota afirmando que a abertura dessa nova frente de difusão de informações, voltadas à doutrinação extremista, “amplia a complexidade do trabalho de enfrentamento ao terrorismo e representa facilidade adicional à radicalização de cidadãos brasileiros”. Sobre as ameaças terroristas, a ABIN divulgou nota oficial. Confira na íntegra:

“Todas as ameaças relacionadas aos Jogos Rio 2016 estão sendo minuciosamente apuradas, em particular as relacionadas ao terrorismo. Muitas são descartadas e as que merecem atenção são exaustivamente investigadas.

Devido à sensibilidade do tema, as ameaças são tratadas, de forma integrada, pelas unidades especializadas de enfrentamento ao terrorismo dos três eixos responsáveis pela Segurança dos Jogos Rio 2016 – Inteligência, Segurança Pública e Defesa. Os órgãos responsáveis pelo planejamento dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos reafirmam seu compromisso com a garantia integral da segurança de todos os presentes ao grande evento”.

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