
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) registrou 7.620 acidentes de trânsito nas rodovias federais que cortam o Paraná ao longo de 2025. As ocorrências resultaram em 8.523 pessoas feridas e 593 mortes. Em comparação com 2024, houve aumento de 0,5% no número de acidentes e de 0,7% no total de feridos, enquanto os óbitos apresentaram redução de 2,3%.
Mesmo representando parcela menor do total de ocorrências, as colisões frontais e os atropelamentos de pedestres seguem como os tipos de acidentes mais letais. Em 2025, as colisões frontais provocaram 190 mortes, o equivalente a 32% dos óbitos registrados no período. Já os atropelamentos de pedestres somaram 95 mortes, correspondendo a 16% do total. Juntos, esses dois tipos concentraram quase metade das mortes nas rodovias federais do estado.
As principais causas presumíveis dos acidentes continuam relacionadas ao comportamento dos condutores. A ausência de reação e a reação tardia ou ineficiente do motorista responderam, juntas, por mais de 2.500 ocorrências em 2025, além de 129 mortes. O excesso de velocidade e o trânsito na contramão também aparecem entre os fatores associados ao maior número de óbitos.
As ultrapassagens proibidas permanecem entre as manobras mais arriscadas, por estarem diretamente ligadas às colisões frontais — o tipo de acidente com maior índice de letalidade. Segundo a PRF, esse tipo de colisão ocorre principalmente em razão de ultrapassagens proibidas ou mal sucedidas e do excesso de velocidade. Em 2025, foram contabilizadas 13.224 autuações por ultrapassagens proibidas no Paraná, média de 1,5 infração por hora ao longo do ano.
Os dados também mostram que a maioria das mortes ocorreu em condições consideradas favoráveis de tráfego: 84% em pista seca e 68% em trechos retos. Para a PRF, os números reforçam que o comportamento do motorista é determinante para a segurança viária.
Caminhões
Os veículos de grande porte tiveram participação expressiva nos acidentes mais graves registrados em 2025. Embora tenham estado envolvidos em cerca de 27% das ocorrências, eles apareceram em 49,9% das mortes contabilizadas no período. A elevada participação nos óbitos evidencia o impacto dos acidentes envolvendo caminhões e outros veículos de carga, cujas características ampliam a severidade das colisões.
Diante desse cenário, a PRF direcionou parte significativa das ações de fiscalização a esse segmento. Do total de veículos fiscalizados no Paraná em 2025, 43% eram veículos de carga. Também houve aumento nas autuações por descumprimento do tempo de descanso do motorista profissional, que somaram 7.852 registros, frente a 5.955 em 2024.
“Houve uma pequena queda dos óbitos nas BRs do Paraná em 2025, mas o fato concreto é que o patamar de mortes segue alto. As 593 mortes registradas equivalem a uma vida perdida a cada período de 14 horas, em média. Já o total de feridos, superior a 8,5 mil, representa uma pessoa machucada a cada 60 minutos”, ressalta o superintendente da PRF no Paraná, Fernando César Oliveira.
Segundo ele, a corporação tem ampliado os investimentos em inteligência policial e videomonitoramento, tanto para o combate a crimes quanto para uma fiscalização de trânsito mais eficiente, em parceria com as novas concessionárias de rodovias.
Vítimas
O perfil das vítimas fatais aponta predominância de homens e de pessoas em idade economicamente ativa. Em 2025, mais de 60% das mortes ocorreram entre pessoas de 20 a 49 anos. A faixa etária de 20 a 29 anos registrou 127 óbitos, seguida pelos grupos de 30 a 39 anos, com 123 mortes, e de 40 a 49 anos, com 114 vítimas fatais.
Em relação ao tipo de veículo, os ocupantes de automóveis concentraram o maior número de mortes, com 229 óbitos em 2025. Na sequência aparecem os motociclistas, com 124 mortes, o que evidencia a maior vulnerabilidade desse grupo no trânsito.
Ao longo do ano, a PRF intensificou as ações de fiscalização e de educação para o trânsito no Paraná. Mais de 367 mil pessoas foram abordadas e mais de 164 mil alcançadas por ações educativas. No campo da fiscalização, foram registradas 509.819 autuações por excesso de velocidade — número 49,5% superior ao de 2024, quando foram contabilizadas 341.028 infrações.