
O corpo de Jéssica Luana Barbosa, de 20 anos, desaparecida desde o dia 6 de março, foi encontrado pelo Corpo de Bombeiros de União da Vitória. Ela foi localizada na tarde de terça-feira, 29, em avançado estado de decomposição, às margens do Rio Palmital, na Barra do Rio do Tigre, próximo ao município de Cruz Machado (PR). O Instituto Médico Legal (IML) de União da Vitória foi acionado e recolheu o corpo, que foi necropsiado pelo médio legista de plantão. Apesar de estar muito comprometido, o IML atestou que Jéssica sofreu várias perfurações, mas a causa final de sua morte foi afogamento.
A Polícia vai investigar, baseado no laudo oficial do IML, se a jovem foi torturada antes de ser atirada no rio e se mais alguém, além do assassino confesso, Marins Moreira, participou do crime. A família recebeu a notícia em um misto de revolta e tristeza. A mãe disse em entrevista para O Comércio que não acreditava que a filha tinha sido lançada no rio e espera que o suspeito confesse o que fez de verdade. “Eu queria só encontrar o corpo da minha filha, dar um enterro digno e cristão para ela. Ela merece e eu mereço isso”, disse.
Relembre o crime
A Polícia Civil de União da Vitória anunciou na manhã da última sexta-feira, 25, a elucidação do sumiço de Jéssica Luana Barbosa. Marins Moreira, que vivia como marido da vítima, apesar de não ser casado com ela, disse em depoimento gravado em vídeo à Polícia Civil que atirou Jéssica, com vida, no Rio Iguaçu, na Rodovia BR-153, em União da Vitória. Com base no depoimento, o delegado chefe da 4ª Subdivisão Policial de União da Vitória (4ª SDP), Douglas Carlos de Possebon e Freitas, pediu a prisão preventiva de Moreira. O suspeito foi preso e aguarda a conclusão do inquérito para ser apresentado à Justiça. Chefiando as investigações o delegado disse que o suspeito tirou a vítima da casa da mãe dela na noite de domingo, 6 de março, levou até a ponte sobre o Rio Iguaçu e lançou Jéssica, com vida, para que ela morresse afogada.
Em entrevista exclusiva para o Portal Vvale, Marins Moreira disse que Jéssica era uma garota estressada e sugeriu que matou a vítima por não aguentar supostas agressões verbais e até físicas. “No dia do crime, saímos da casa da mãe dela, fui até a ponte e falei que o pneu do carro furou. Ela desembarcou do carro comigo, meio apavorada, e num movimento rápido peguei ela e lancei no rio. Depois virei a volta no carro e voltei para casa. Nem olhei para trás”, afirmou na entrevista. Marins alegou ainda que Jéssica não se entendia com sua mãe e as brigas eram constantes. “Fiz porque não aguentava mais”, afirmou. No entanto, na noite do crime, segundo a mãe da vítima e o próprio suspeito, não houve briga e os dois saíram aparentemente bem. “Não teve briga, mas eu estava nervoso e joguei ela no rio”, detalhou Marins. Na entrevista, Marins disse que estava arrependido, mas sustentou que não suportava a convivência turbulenta do casal.
O laudo
A mãe de Jéssica, Célia Regina Marino, mostrou com exclusividade para o Vvale o laudo sobre a morte da filha, assinado pelo médico legista Carlos Moura. O diagnóstico aponta causa desconhecida da morte. No entanto, nas anotações o médico legista afirma que a morte foi em consequência de submersão no rio e ferimentos por arma branca. Célia disse que a filha foi torturada e jogada ainda com vida no rio. Na descrição sumária da necropsia, há a seguinte anotação: “Foi agredida por arma branca e jogada no rio pelo convivente”.
Crime pode ter mais de um autor
No entanto, as evidências do laudo pericial do IML colocam o depoimento de Marins em contradição e dão margem a interpretação de que ele pode ter contado com a ajuda de uma ou mais pessoas quando matou Jéssica. Por telefone, o delegado chefe da 4ª SDP disse que vai confrontar as informações do suspeito com as informações do laudo. O delegado quer saber agora se Marins agiu sozinho ou se está ocultando a participação de outra pessoa. Como as perfurações não são profundas, a conclusão preliminar é que uma pessoa que não teria a mesma força de um homem adulto poderia ter esfaqueado a vítima.
A espera da justiça
Célia Regina Marino disse que o desespero pelo sumiço da filha cegou toda a família. “A verdade estava todo o tempo ali e eu ainda defendi esse assassino”, diz se referindo ao companheiro de sua filha, Marins Moreira. Célia não esconde o ódio por seu genro. “Eu quero que ele apodreça na cadeia, por deixar uma mãe sem a filha e uma criança sem a mãe”, disse. Ela disse que confia no trabalho da Polícia Civil e na Justiça local. “Ele tem que pagar pelo que fez. O quebra-cabeça se juntou depois que ele foi preso. Ele tinha dado sinais de que não prestava, mas a minha filha sempre queria dar outra chance, e a gente ia levando”, disse. Célia disse que vai recomeçar e cuidar da neta, ainda bebê. “Vai ser muito duro, mas não tem outro jeito, a gente vai ter que tocar em frente. Só quero justiça e que esse canalha pague por destruir a minha família”, desabafou Célia.
Confira a entrevista na íntegra