
A sequência dos debates sobre a Segurança Pública em União da Vitória foi parar na Câmara de Vereadores. Na noite de segunda-feira, 15, o assunto esquentou com a presença do comandante da Polícia Militar de União da Vitória (2ª CIPM), capitão Gilmar Golemba, que disse, em pronunciamento na tribuna da casa de leis, que os problemas da segurança não são sentidos somente pela falta de policiais militares. Golemba disse que as demandas decorrem de problemas conjunturais, que vão desde a educação (ou falta dela) em casa até a falta de oportunidades, a ociosidade e as falhas nas políticas de governo para as crianças e adolescentes.
Para o capitão os problemas começam em casa, passam pelos bares e até pela falta de emprego e renda. “Me pergunto porque tem bar funcionando domingo às 22 horas. Para um pai de família, trabalhador, consumir cachaça, brigar em casa e começar a segunda-feira preso ou com um problema a mais?”, questionou Golemba. Para o policial, a ociosidade e a falta de investimentos em Educação, como escola em tempo integral ou oportunidade de emprego para adolescentes, também contribuem para o aumento de assaltos, furtos e a violência em si.
Os vereadores disseram que o funcionamento de bares, clubes, boates estão dispostos no Código de Posturas de União da Vitória. O vereador Mário Lúcio Pereira Ferreira (SDD) falou que a Lei de sua autoria proibindo consumo de bebidas nas calçadas e disciplinando a venda em logradouros públicos está à espera de regulamentação. Mas todos insistem que a presença forte da Polícia Militar, com mais homens, bem equipados e com viaturas, inibe a ação marginal. No final os legisladores se comprometeram a continuar discutindo e encontrando soluções, paliativas ou não, para melhorar a segurança do município.
E o que a população pode fazer?
Ficou evidente que as autoridades também esperam muito da população. A denúncia, o ato de o cidadão cuidar da sua rua, da vizinhança é um meio para ajudar. Outro fator é a tolerância zero com furtos, roubos e consumo de drogas em pequenas quantidades. “É preciso cortar na carne. Se um filho fuma maconha, amanhã ele vai precisar de dinheiro para comprar mais. Se não tem, rouba pares de tênis, celulares, notebooks e troca por maconha ou crack”, acusa o policial. Se os pais ou responsáveis não prestarem atenção o problema fica mais grave e depois fatalmente termina com presídios cheios.
A disposição de discutir, ouvir o clamor popular e propor soluções é um grande avanço que chegou com atraso, mas em tempo de reverter a situação preocupante da Segurança Pública.
Para vereadores e o comandante da PM o Conselho de Segurança do Município (Conseg) em processo de formação, vai ser importante por que envolve todas as comunidades de todos os bairros e do centro, além da área rural.
Não foi uma noite de soluções, mas do início ao combate das causas da violência, dos assaltos, das brigas e do alto consumo de bebida alcoólica em União da Vitória.