O depoimento especial de uma menina de 8 anos, trouxe elementos cruciais e esclarecedores para a investigação da morte de sua mãe, Débora Ester de Biazi Dambros, de 24 anos, em um caso que chocou o Oeste de Santa Catarina.
O crime e a farsa do acidente
Débora foi assassinada no dia 20 de julho, por asfixia, dentro de sua residência localizada em Xaxim. O marido da vítima e pai da criança, Welton André Dambros, de 30 anos, contou com a ajuda do próprio pai para encobrir o feminicídio.
A dupla elaborou uma farsa: levou o corpo e o veículo de Débora até a ponte sobre o Rio Barra Grande, na SC-283, em São Carlos, e lançou ambos na água para simular um trágico acidente de trânsito. Inicialmente, a versão foi tratada como acidente, mas laudos periciais detalhados desmentiram a narrativa dos suspeitos, resultando na prisão imediata de ambos.
O depoimento decisivo da criança
Sob rigoroso segredo de Justiça, ela foi ouvida em depoimento especial. A criança estava presente na residência no momento do assassinato, acompanhada também pelo irmão mais novo, de apenas 2 anos.
De acordo com a advogada da família materna, Karen Rebelato, o relato da menina foi determinante para esclarecer pontos obscuros da dinâmica criminosa:
“O depoimento da menina foi extremamente importante e definiu muitas coisas que antes estavam em dúvida”, destacou a defensora.
Conforme o avanço das investigações, há indícios de que o principal suspeito, Welton — que já teria confessado o feminicídio —, também planejava assassinar os dois filhos e, em seguida, cometer suicídio.
Nova rotina e amparo aos irmãos
Após a tragédia, os dois irmãos ficaram sob a guarda provisória da avó materna, Arminda Silva Melo, no município de Ipuaçu. A Justiça determinou o afastamento rigoroso e proibiu qualquer tipo de contato da família paterna com as crianças.
As crianças chegaram à nova residência apenas com as roupas do corpo e sem documentos pessoais. Atualmente, recebem acompanhamento psicológico especializado, passam por atualização do cartão de vacinação e estão sendo matriculadas na rede escolar.
Paralelamente, a família materna busca na Justiça garantir os direitos civis e sociais dos menores, incluindo pensão alimentícia, benefícios legais, eventuais indenizações e a abertura do inventário dos bens deixados por Débora.
O processo criminal segue tramitando sob segredo de Justiça para preservar a integridade e o bem-estar psicológico das crianças envolvidas.

