FEMINICÍDIO: Morte de Juliana Graupmann completa um ano

Caso vai à júri popular, em outubro. Em União da Vitória, Câmara aprova projeto que institui Dia Municipal de Combate, lembrado em 22 de julho

·
Atualizado há 7 anos

Juliana tinha 38 anos e dois filhos
Juliana tinha 38 anos e dois filhos

A vida segue, mas, mais lentamente, embora o sentimento de justiça desponte, como uma luz no fim do túnel. O mais recente caso de feminicídio em União da Vitória foi registrado no dia 16 de setembro de 2018 quando Juliana Graupmann, 38, foi morta a facadas pelo ex-namorado. Ele, inclusive, procurou a Delegacia, se apresentou e confessou o crime. Segundo os familiares, o homem teria matado Juliana por não aceitar o fim do relacionamento. A mulher era mãe de dois filhos: um de 19 e outro, uma menina, de sete. “A gente ainda não acredita que isso aconteceu, destruiu com a família dela. O sentimento é de dor, ainda mais por uma coisa tão banal”, disse à reportagem um familiar de Juliana.

O feminicídio aconteceu no bairro Nossa Senhora da Salete, em São Cristóvão. Conforme a Policia Militar na época, o homem agrediu Juliana com golpes de faca e fugiu. A vítima ainda chegou a ser socorrida, mas não resistiu aos ferimentos. A morte violenta chocou, revoltou e causou comoção na cidade. Na ocasião, houve protesto no centro da cidade, onde manifestantes – um pequeno grupo de mulheres – pedia por justiça. Com cartazes e pinturas de cor vermelha representando sangue humano, as mulheres pediam o fim das agressões, especialmente dentro de casa e contra as mulheres. Queremos respostas do caso Juliana”, “Juliana foi mais uma das vítimas do feminicídio” e “basta de feminicídio”, foram escritas nos cartazes usados no movimento.

O crime completa na segunda-feira, seu primeiro ano. Conforme o delegado da 4ª. SDP, Douglas Possebom, o julgamento está marcado e acontece no dia 10 de outubro.

Violência é violência

Ciúmes não é o tempero do amor. Um puxão de cabelo, só de vez em quando, não é normal.  Foi assim, com frases de impacto e com dados sobre a violência que acontece dentro de casa, que Thays Bierbebach, do coletivo, Mais que Amélias e do Instituto Rosas do Contestado, e Angélica Cardoso de Lima, membro do Centro Judiciário de Solução de Conflitos (Cejusc) de União da Vitória, falaram na Tribuna, na sessão do dia 2, na Câmara de Vereadores. Elas participaram da reunião do Legislativo de União da Vitória à convite da vereadora, Alandra Roveda, que naquele noite, acompanhou a aprovação do projeto de sua autoria que cria na cidade, o Dia de Combate ao Feminicídio.

Conforme Thays e Angélica, a violência acontece em lares indistintos: mulheres ricas e pobres podem – e são – vitimas da violência praticada por seus companheiros. “Uma mulher é agredida a cada dois minutos no País e só 11% das vitimas denuncia. Dessas, 80% tem vínculo com o agressor. Cinqüenta e quatro por cento das pessoas conhece alguém que sofreu violência domestica”, apontou Thays. “É um problema estrutural, que vem de geração em geração. Existem mitos sobre a violência doméstica, de que se trata apenas de briga de marido e mulher, por exemplo”.

feminicidio-uniaodavitoria-casos (9)De acordo com Angélica, existe um processo de rede, integrado, que acolhe as mulheres vitimas de violência. O Cejusc, de União, é uma dessas ferramentas.

“Ninguém chega batendo. Quando você conversa com uma vítima, ela ainda pergunta se vale a pena denunciar. Ela esquece que mantendo um casamento abusivo, ela estava mostrando para os filhos que apanhar é normal ou que bater é normal”, aponta, Angélica. “Esse não é o conceito de família”.

Para a vereadora, Alandra, o assunto precisa ser debatido de maneira mais intensa. Conforme a parlamentar, essa necessidade ficou ainda mais evidente na ação proposta por ela, o Ônibus Lilás. Ele esteve em União em julho, visitou três bairros e neles, colocou as mulheres em uma situação mais confortável para narrar suas experiências de violência.

“Além disso, estamos apurando essa questão da delegada, que não temos aqui na Delegacia da Mulher, e ainda, o botão do pânico. Precisamos cada vez mais de políticas públicas mais fortes na nossa comunidade”, destaca.

O Projeto de Lei número 15, de 2019, foi aprovado em segunda votação. Com ele, fica criado o Dia Municipal de Combate ao Feminicídio.

Seminário Regional sobre violência

O evento, que tem como foco a violência contra as mulheres, acontece no dia 19, a partir das 8 horas, na Uniguaçu. A iniciativa é do coletivo Mais que Amélias e Instituto Rosas do Contestado. O seminário compõe uma das etapas de um projeto de inclusão que as entidades desenvolvem em algumas escolas. O seminário é gratuito, aberto ao público.

Fique sempre atualizado

Entre no nosso grupo do WhatsApp e siga nosso perfil no Instagram para não perder nenhuma notícia!