
A superlotação da 4ª SDP de União da Vitória reflete a crise carcerária do Paraná, que por sua vez não é diferente do Brasil. Segundo o Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias (Infopen), divulgado na semana passada pelo Departamento Penitenciário Nacional (Depen), do Ministério da Justiça, aponta que a população carcerária brasileira saltou de 232 mil para 622 mil entre os anos de 2000 e 2014, um aumento de 168%.
O estudo mostrou que o Paraná tinha a quarta maior população carcerária do País em 2014, com 28 mil detentos, atrás apenas de São Paulo, com 220 mil; Minas Gerais (61,3 mil), e Rio de Janeiro (40,3 mil). Em 2014, eram 28 mil. Destes, 65% estavam no sistema penal e 35% em cadeias. Segundo o governo do Paraná, o Estado tem hoje 2.570 presos monitorados por tornozeleiras eletrônicas, o que ajuda a reduzir a população carcerária e gastos desnecessários.
Presos e monitorados
União da Vitória, sede da 4ª Subdivisão Policial, não possui nenhum tipo de presídio, seja no regime fechado ou semiaberto. Mesmo assim a cadeia improvisada já abrigou até 94 detentos. De acordo com o delegado chefe da 4ª SDP, Douglas Carlos de Possebon e Freitas, atualmente estão nas sobrecarregadas instalações da Delegacia de Polícia 61 presos. Depois de hábil negociação com a Administração Penitenciária do Paraná, seis presos foram transferidos para o presídio de Foz do Iguaçu e outros cinco para presídios de Curitiba.
A Delegacia de União da Vitória possui celas correcionais temporárias, vem sendo usada como cadeia pública, conta somente com seis agentes penitenciários e quatro investigadores. A escala de serviço é insalubre. Apenas um agente e um investigador diariamente para cuidar dos atuais 61 detentos. Os agentes e investigadores convivem com o medo e o risco de fuga eminente. O medo se revela pelo fato do risco de um agente ou investigador ser rendido durante a movimentação. As chances de rebelião e tentativas de fuga também são constantes.
Tornozeleiras aliviam superlotação
O que quase ninguém sabia, é que 22 presos da região de União da Vitória cumprem pena fora doa cadeia, ou seja, por meio da tornozeleira eletrônica. O delegado admite que esse número é um alívio na população carcerária local. Freitas disse que os presos que ganham o benefício de cumprir pena no sistema monitorado são levados para Guarapuava, onde o sistema é implantado e depois são soltos. Soltos, não livres. O regime monitorado é rígido. Se o preso remover ou danificar o instrumento, ele poderá ter a autorização de saída temporária ou prisão domiciliar revogada, além de sofrer regressão do regime e receber advertência por escrito.
Seguro e barato
O custo estimado de cada tornozeleira é de R$ 300 por mês. Segundo o governo do Paraná, cada detento reflete uma despesa mensal média de R$ 1.887,80. Somente no ano passado, o Estado gastou R$ 22,6 milhões para manter os 17.084 presos no sistema.