Uma operação de grande porte da Polícia Federal, deflagrada revelou o funcionamento de uma organização criminosa especializada no tráfico internacional de mulheres para exploração sexual. De acordo com o delegado regional Farnei Franco Siqueira, a maioria das vítimas aliciadas era natural de Santa Catarina.
A Operação Cassandra cumpriu mandados em Florianópolis, São José, Palhoça, Biguaçu e Camboriú, além de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná e Mato Grosso. A ação também teve uma etapa internacional na Irlanda, em cooperação com a Europol e a Garda National Protective Services Bureau, responsável pela Operation Rhyolite.
Esquema criminoso
As investigações apontam que o grupo atuava desde 2017, aliciando mulheres em festas e baladas com promessas de oportunidades no exterior. Os criminosos custeavam as viagens e, já na Irlanda, as vítimas eram forçadas a se prostituir em locais pré-definidos ou anunciadas na internet.
A Polícia Federal estima que a quadrilha lucrava cerca de R$ 100 mil por mês com cada mulher explorada. Além do tráfico de pessoas, os envolvidos também praticavam lavagem de dinheiro, investindo em imóveis, veículos de luxo, empresas e criptoativos.
Segundo o delegado Siqueira, embora algumas vítimas soubessem que iriam se prostituir, elas eram submetidas a condições degradantes que as colocavam em situação de “verdadeira prisão”.
Denúncia e cooperação internacional
A operação só foi possível após denúncias feitas por vítimas às autoridades irlandesas, que alertaram o Brasil. Até o momento, 70 mulheres foram identificadas como vítimas do esquema. Na Irlanda, a nova fase da investigação busca garantir apoio, proteção e reintegração dessas mulheres.
Mandados e prisões
No Brasil, a Justiça Federal decretou cinco prisões preventivas, 30 mandados de busca e apreensão e 13 medidas restritivas de direitos. Cerca de 120 policiais federais e sete servidores da Receita Federal participaram da operação.
De acordo com a PF, todos os pontos de prostituição estavam localizados na Irlanda, enquanto no Brasil os alvos estavam relacionados a lavagem de dinheiro, fraudes documentais e movimentações financeiras suspeitas.
A investigação continua, agora focada em rastrear os valores movimentados pela quadrilha e os bens adquiridos com o dinheiro da exploração sexual.