
Os presos que incitaram o motim ocorrido na Delegacia de Polícia Civil de Irati na segunda-feira, 7, foram transferidos para outras cadeias da região. Segundo informações da Polícia Militar, 13 detentos foram encaminhados para o Hildebrando de Souza, em Ponta Grossa, cinco para Rebouças e cinco para Teixeira Soares, totalizando a remoção de 23 pessoas.
Como a Delegacia ficou danificada em virtude do motim, 36 presos foram realojados em três celas da carceragem. Um preso ficou levemente ferido, enquanto que duas mulheres receberam atendimento após inalarem fumaça. Antes da rebelião, cerca de 92 presos permaneciam no espaço construído para abrigar aproximadamente 25 pessoas.
Rebelião durou mais de 12 horas
A rebelião na cadeia pública de Irati teve início por volta das 13 h de ontem e só foi controlado na madrugada de terça-feira, 8. De acordo com informações apuradas, os detentos estavam se preparando para fugir quando foram surpreendidos pela equipe da Polícia Civil, que revistou as celas no período da tarde. Com isso, os presos foram retirados das celas e colocados no solário da carceragem. No momento em que foram solicitados para retornar as celas, os detentos não queriam ser revistados, o que motivou a rebelião. Uma das exigências dos amotinados era a liberação para tomar o chamado “banho de sol” no fim de semana. Entretanto, a solicitação não foi atendida, pois o número de policiais que trabalham nos sábados e domingos é reduzido.
Por volta das 21 h, policiais da Tropa de Choque e do Canil de Ponta Grossa entraram nas celas para tentar controlar o motim. A juíza da comarca de Irati, Mitzy de Lima Santos e o Delegado-Chefe da 13 Subdivisão Policial de Ponta Grossa, Danilo Cesto, auxiliaram nas negociações. Devido a confusão, as ruas de acesso a Delegacia foram fechadas e somente veículos autorizados circularam pelo local.
Alguns detentos queimaram colchões quando a Tropa de Choque invadiu a carceragem. Para dispersar os presos, foram disparadas bombas de efeito moral. Por esse motivo, houve uma grande movimentação do lado de fora da Delegacia, onde cerca de 80 familiares dos detentos acompanhavam a situação. Algumas mulheres gritavam temendo pela integridade física dos presos. Aproximadamente 15 viaturas das equipes da Polícia Militar, Rádio Patrulha, Polícia Civil, Tropa de Choque, Canil, Guarda Municipal e Rotam participaram da ação visando conter a rebelião.
Subcomandante da 8ª Cia conta detalhes do motim
Em entrevista, o Subcomandante da 8ª Cia, Capitão Luciano José Ribeiro Romão, falou sobre as reivindicações dos presos. “Eles [detentos] querem tentar dificultar a averiguação completa, a busca aprofundada dos objetos cortantes que eles podem ter, das serras que eles já serraram algumas grades ali e provavelmente outros celulares e até substâncias tóxicas. Daí a relutância em obedecer algumas ordens, algumas cautelas técnicas, que nós estamos tentando manter com eles”.
Após um pente fino nas celas foram encontrados alguns celulares, estoques (armas improvisadas) e outros objetos ilícitos. “A saída deles pelo solário foi pacífica e tranquila, segundo nos relataram. Foi achado alguma coisa, mas nada diferente do trivial que a gente sempre encontra nos bates grades que são executados. O retorno deles as celas está sendo dificultoso. Estamos trabalhando com a hipótese que eles tem outros objetos de bastante interesse ou valor para eles. O que a gente busca é só a negociação. A situação está estabilizada e o perímetro foi congelado”, afirmou o Subcomandante da 8ª Cia, logo após a chegada da Tropa de Choque.
Romão ainda enfatizou o trabalho realizado pelos investigadores e a Delegada Eliete Kovalhuk, que conseguiram evitar que os presos concretizassem uma fuga. “Eles [presos] devem estar inconformados, principalmente com a descoberta do serramento de uma das grades das celas. Em outras situações tivemos até mais presos na Delegacia, mas sem problemas. Hoje é um ponto específico, ou seja, a descoberta do plano de fuga, que foi evitado graças ao bom trabalho da Delegada de Polícia”.
Matéria Portal Rádio Najuá



