
A Polícia Civil realizou nesta terça-feira (11) uma operação de grande alcance contra uma organização criminosa especializada em fraudes judiciais. Batizada de Operação Alvará Fantasma, a ação resultou na prisão de sete pessoas suspeitas de se passar por advogados para enganar vítimas em Santa Catarina.
As investigações começaram em junho, após o registro de golpes em Florianópolis e outras cidades catarinenses. Um dos casos apurados apontou prejuízo de R$ 100 mil para uma única vítima. O grupo agia a partir do estado de Mato Grosso do Sul, mas também tinha ramificações no Piauí.
Foram cumpridos 10 mandados de busca e apreensão e sete de prisão temporária nas cidades de Nova Andradina, Dourados, Campo Grande, Três Lagoas e Geminiano (PI). Durante as buscas, os agentes apreenderam celulares, computadores e documentos que devem ajudar a rastrear o dinheiro das fraudes. A Justiça determinou ainda o bloqueio de R$ 300 mil em 63 contas bancárias associadas aos suspeitos, totalizando R$ 18,9 milhões.
De acordo com o advogado Lucas Ferenc, vice-presidente da OAB de Caçador, o golpe do falso advogado é um crime que vem se espalhando pelo país. A estimativa é que os prejuízos acumulados ultrapassem R$ 2,8 bilhões. Ele explica que a maior parte das fraudes ocorre a partir de informações obtidas em processos eletrônicos, disponíveis ao público.
“Os criminosos se aproveitam desses dados para entrar em contato com as partes envolvidas e se apresentar como advogados ou assessores jurídicos”, explica Ferenc. “Eles dizem que a ação foi ganha e solicitam depósitos de impostos ou taxas falsas para liberar valores.”
Segundo o advogado, a atuação dos golpistas se sofisticou. Antes, utilizavam fotos e nomes de advogados reais em perfis falsos de WhatsApp e Facebook. Agora, simulam ser funcionários de escritórios de advocacia, agendando falsas audiências virtuais e enviando boletos e chaves Pix para o pagamento de supostas custas judiciais.
Ferenc alerta ainda para o uso crescente de inteligência artificial nessas ações criminosas. “Há casos em que os golpistas criam áudios com vozes idênticas às dos advogados verdadeiros. Isso confunde as vítimas e dificulta o reconhecimento da fraude”, observa.
Como se proteger
Para evitar cair nesse tipo de golpe, especialistas orientam:
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Confirmar sempre a identidade do advogado por meio de contato direto;
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Desconfiar de mensagens ou ligações com DDD de outro estado;
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Conferir se o telefone informado é o mesmo registrado no cartão da OAB;
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Solicitar videochamada para validar a identidade do profissional;
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Evitar realizar pagamentos a contas em nome de terceiros.
“É fundamental confirmar as informações antes de transferir qualquer quantia”, reforça Ferenc. “Depois que o dinheiro é enviado, o rastreamento é demorado e a recuperação, quase impossível.”
A Polícia Civil segue com as investigações para identificar outros envolvidos e mapear a origem dos recursos movimentados pelo grupo. O alerta é para que novas vítimas denunciem contatos suspeitos e redobrem a atenção diante de promessas de liberação rápida de valores judiciais.
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