VÍDEO: “Já chegou me agredindo”, conta jovem espancada em União da Vitória

O agressor foi o próprio companheiro. O caso foi registrado na manhã do domingo de Carnaval, no bairro São Sebastião

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Atualizado há 10 anos

IMG-20170308-WA0060Ela completou recentemente seus 16 anos de idade. Mas no coração carrega a dor de uma pessoa que parece ter passado uma vida inteira de violência doméstica. É triste que neste Dia Internacional da Mulher, 8 de março, uma moradora do bairro São Sebastião, em União da Vitória, não tenha o que comemorar. A cada frase dita vem com ela uma nova lágrima. Lágrimas e mais lágrimas.

A jovem lembra em detalhes que foi espancada na manhã do domingo de carnaval, 26, em sua própria casa, pelo seu companheiro, 38 anos. O que era para ser um lar doce lar se transformou em um local obscuro e infeliz.

Este é mais um relato de violência doméstica registrada aqui no Vale do Iguaçu. Porém, não vamos tapar os olhos e ignorar o fato. Foi então que a reportagem do Portal Vvale foi até a casa da jovem e conversou com ela. Porém, não vamos aqui revelar a sua identidade e tampouco a do agressor. O que nos interessa é o desfecho deste dia triste.

Conta a jovem que o companheiro não passou o sábado, 25 de fevereiro, em casa. Ele estava em uma chácara com amigos. Ao retornar, no domingo, 26 de fevereiro, pela manhã, chegou alcoolizado e já no portão proferiu palavras de baixo calão contra ela. “Ele gritava gorda, feia, vá capinar um lote”, relata ela.

Foi então que no sofá da sala ele proferiu tapas na mesma. Se não bastasse, o agressor ainda puxou os cabelos da jovem arrancados tufos do mesmo nas mãos. Em razão do choro do filho do casal, de 2 anos, ela conseguiu empurrá-lo e fugir para a casa da mãe.

Já na casa da mãe, a jovem estava bastante nervosa. Esta não foi a primeira vez que o seu convivente a agride. Já ocorreram situações semelhantes com ela outras vezes. A mãe da jovem conta que já chegou a separar a briga do casal quando moravam nos fundos de sua casa. “Eu já passei por isso também. Já fui agredida por ex marido. Não quero que a minha filha passe por isso também. É muito triste. Acaba com a pessoa”, confirma a mãe.

A mãe conta ainda que a jovem está com baixa estima. Ela parou de estudar e anda muito deprimida. “Penso que um tratamento psicológico a ajudaria”.

No dia do ocorrido, mãe e filha foram até a Delegacia da Polícia Civil de União da Vitória. Denunciar o convivente foi uma iniciativa difícil para a jovem, mas ela foi. Ao chegar no local, conta ela, foi informada que deveria retornar na segunda-feira, 27, pelo fato do feriado de carnaval. A jovem conta que como não houve flagrante não conseguiu denunciar o convivente e enquadra-lo na Lei Maria da Penha. Mas fez o Boletim de Ocorrência (BO) informando o fato.

Ela continua amparada pela mãe e não conversou, até esta data, com o agressor.

Dados

Do total de atendimentos realizados pelo Ligue 180 – a Central de Atendimento à Mulher em 2016, 12,23% (67.962) corresponderam a relatos de violência. Entre esses relatos, 51,06% corresponderam à violência física; 31,10%, violência psicológica; 6,51%, violência moral; 4,86%, cárcere privado; 4,30%, violência sexual; 1,93%, violência patrimonial; e 0,24%, tráfico de pessoas. Três em cada cinco mulheres jovens já sofreram violência em relacionamentos, aponta pesquisa realizada pelo Instituto Avon em parceria com o Data Popular.

Vídeo: Ricardo Silveira

Confira a entrevista na íntegra com a jovem

 

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