Emissoras iniciam processo de migração de AM para FM

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Atualizado há 11 anos

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Ministro interino das Comunicações, Francisco Ibiapina, anuncia etapas do processo de migração AM/FM. (Foto: Divulgação/Abert).

Um grande passo para a radiodifusão brasileira já está acontecendo. Emissoras de rádios AM começaram no dia 25 de fevereiro a entrega de documentos e dão inicio à migração para a frequência FM. Cerca de 950 emissoras constantes do primeiro lote começaram a entregar a documentação, o que possibilita a emissão dos boletos das outorgas de FM. A apresentação da documentação termina no dia 24 de maio. A partir do recebimento do boleto, a emissora tem 90 dias para quitar o valor, que deverá ser pago em parcela única. Já outras 300 podem depender do desligamento da televisão analógica para utilizar o espectro eletromagnético de radiodifusão. Para isso, os canais 5 e 6, que, hoje, são ocupados por canais de TV analógicos, serão desocupados e destinados à FM. No primeiro lote, 92 emissoras AM do Paraná estão aptas a migrar para FM.

Diferenças entre AM e FM

Rádio AM é o processo de transmissão através do rádio usando Modulação em Amplitude. É transmitido em várias bandas de frequência. Foi por oitenta anos o principal método de transmissão via rádio. Entre AM e FM existem duas diferenças primordiais, a primeira técnica e a segunda de estilo. AM e FM indicam os modos como são modulados os sinais de radiofrequência emitidos pelo transmissor. AM significa “Amplitude Modulada”, ou seja, a amplitude da onda de rádio. Nesse tipo de frequência, é a amplitude (a força da onda) que é mudada. Já FM significa “Frequência Modulada”, nela não é a amplitude que é modulada, e sim a frequência da onda de rádio. Isto é, os picos positivos do sinal modulado representam frequências mais elevadas e umas os picos negativos apresentam frequências mais baixas. Desse modo os rádios FM são menos sujeitos a interferência causada por “ruídos” eletromagnéticos (raios ou mesmo emissões de estações de rádio, TV ou radioamadores etc.)

Migração avança

GrXXficoXRXXdioSegundo dados da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e TV (Abert), das 1.781 emissoras de rádio AM no Brasil, 1.386 pediram para migrar para a faixa de FM. A mudança é opcional e deve ocorrer em etapas. O ministro interino das Comunicações, Francisco José Ibiapina, anunciou as etapas do processo de migração. Segundo o ministro, 175 emissoras de vários estados já estão aptas a receber a cobrança e iniciar a migração. As rádios que estão com pendências de documentação junto ao MiniCom terão 90 dias para regularizar a situação. Se não cumprirem este prazo, irão para o lote residual e terão mais três meses, a partir de julho, para sanar as pendências.

Custos compensam

O coordenador-geral de Radiodifusão do Ministério das Comunicações, João Paulo Andrade, destaca que a mudança será positiva para o ouvinte. Para algumas emissoras, o custo da migração pode chegar a até R$ 6 milhões, incluindo os novos equipamentos que devem ser comprados. Outras, menores, devem arcar com R$ 30 mil. O diretor-geral da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e TV (Abert), Luiz Roberto Antonik, afirma que apesar do valor alto, o custo-benefício vale a pena. Para a diretora executiva da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e pesquisadora no campo do rádio, Valci Zuculoto, a medida do governo foi necessária, já que o Brasil não definiu o padrão digital de rádio. Ela alerta que há ainda muitos desafios pela frente.

O fim das AMs?

As emissoras AMs com seu som indefectível que conquistou os ouvintes durante oito décadas não vai desaparecer. Segundo o técnico responsável pela Rádio Difusora União de União da Vitória, Cristiano Silva, as emissoras da AM não são obrigadas a migrar e o espectro vai continuar existindo em nível nacional. “Mesmo para as que pediram a mudança, será dado ainda um prazo de cinco anos durante o qual elas podem transmitir seu conteúdo tanto na faixa AM quanto na de FM”, explicou.

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