O dia 8 de julho marca os 42 anos da maior catástrofe natural já registrada no Vale do Iguaçu.
Em 1983, uma sequência de chuvas intensas fez o Rio Iguaçu transbordar de forma devastadora, submergindo cerca de 70% das cidades de União da Vitória (PR) e Porto União (SC). O rio atingiu a impressionante marca de 10,42 metros, deixando milhares de pessoas isoladas, sem energia elétrica, água potável ou alimentos.
Foram 22 dias de chuvas ininterruptas, que despejaram em julho o equivalente a seis meses de precipitação: cerca de 800 milímetros. Em apenas dois dias, entre 7 e 9 de julho, o nível do rio subiu mais de três metros. No dia 10, com o nível em 9,83 metros, a população teve a falsa esperança de que a enchente recuaria. No entanto, por influência da Usina de Foz do Areia, as águas continuaram a subir por mais oito dias, atingindo seu ápice em 18 de julho.
Segundo o historiador Dago Woehl, o volume de água vindo da bacia de 24.200 km² acima de União da Vitória provocou uma pressão imensurável sobre a região, arrastando tudo à sua frente. Em seu relato, ele descreve o rio como “um monstro que afogava as cidades”.
Na madrugada do dia 8, os apitos de fábricas e trens ecoaram pela cidade, alertando a população.
Era o “dia D”.
Muitos tentaram salvar o que podiam: móveis, roupas, documentos. Outros acordaram tarde demais, com suas casas já tomadas pela água. A enchente transformou a região em um cenário de guerra, deixando destruição, cheiro forte, animais mortos e famílias desabrigadas. A recuperação total levou anos.
A tragédia de 1983 também impulsionou a criação da Comissão Regional Permanente de Prevenção contra Enchentes do Rio Iguaçu (Sec-Corpreri), em 1992, e uma série de medidas preventivas, como o monitoramento constante do nível do rio e ações coordenadas com a Usina de Foz do Areia para controle de vazão.
A enchente de 1983 deixou marcas profundas, mas também lições valiosas que moldaram a forma como União da Vitória e Porto União enfrentam as forças da natureza.
Em julho de 2023 o Jornal O Comércio lembrou os 40 anos da grande enchente: