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Projeto de recuperação da locomotiva parou em razão da pandemia e de reajustes financeiros

(Foto: Arquivo).
(Foto: Arquivo).

A ideia de alavancar o turismo local por meio de um dos mais requisitados cartões postais do Vale do Iguaçu foi adiada. A Maria Fumaça não retorna aos trilhos neste ano.

A recuperação da locomotiva parou em razão da pandemia do novo coronavírus (Covid-19) e da necessidade de reajustes financeiros. O prazo foi prorrogado e firmado em contrato com a Associação Brasileira de Preservação Ferroviária de Santa Catarina (ABPF) de Rio Negrinho (SC) e dos empresários que fazem parte do Projeto “Trem das Etnias” e do Instituto Cultural Grünenwald (ver box), que contemplam ações separadas, porém planejadas em conjunto.

Retirada dos vagões da Estação União. (Foto: Jaqueline Castaldon).
Retirada dos vagões da Estação União. (Foto: Jaqueline Castaldon).

O projeto foi iniciado em 2019, com a primeira etapa da retirada dos vagões da Estação União, do tender (que é um vagão de carga ou de carvão; um veículo ferroviário especial rebocado por uma locomotiva) e da cabine, que estão sendo recuperados em Porto União. Em um primeiro momento, parte da carga da Maria Fumaça foi para manutenção, e em 16 janeiro deste ano, foi à vez da locomotiva.

(Foto: Reprodução).
(Foto: Reprodução).

A proposta dos empresários é recuperar a locomotiva e o trecho que compreende a Estação União (área central), até o quilômetro 14, próximo da localidade do Stenguel, o que totaliza 18 quilômetros de percurso.

(Foto: Reprodução).
(Foto: Reprodução).

Em recente entrevista à CBN Vale do Iguaçu, o empresário Leocir Weber disse que a ideia do projeto já é antiga, sendo pensado desde 2009 e, que contou com um estudo de viabilidade técnica para a sua execução.

“A intenção era colocar a locomotiva nos trilhos ainda dezembro deste ano, mas isso não será possível. A expectativa é que no ano que vem, a ‘famosa’ vai estar de volta e fazendo barulho com o seu apito pelas cidades”, afirma.

Projeto

O valor orçado inicialmente para a recuperação da locomotiva era de R$ 250 mil reais. Porém, o montante sofrerá reajustes e o contrato será reconfigurado.

“Surgiram novas situações referente a reforma da locomotiva. A empresa fez a inspeção visual nela, ainda em Porto União. Será preciso reformar a caldeira e as rodas da máquina”, disse Leocir.

Segundo ele, a locomotiva até teria condições de transitar, mas está há muito tempo sem manutenção e, além disso, o seu retorno aos trilhos depende de vistoria da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

Locomotiva 310 em Rio Negrinho. (Foto: Reprodução).
Locomotiva 310 em Rio Negrinho. (Foto: Reprodução).

Deste então, os empresários de Porto União visitaram a locomotiva em Rio Negrinho, por duas vezes, antes da pandemia.

Limpeza dos trilhos

O vereador Élio Weber, que também é um dos entusiastas do projeto e integrante do Grunenwald, apresentou para os demais colegas do legislativo e comunidade, em outubro do ano passado, um vídeo referente aos avanços do projeto de recuperação da locomotiva.

Limpeza dos trilhos no início do trajeto de Porto União a localidade do Stengel
Limpeza dos trilhos no início do trajeto de Porto União a localidade do Stengel

Na ocasião, citou a limpeza dos trilhos que vem acontecendo até a localidade do Stenguel, também movido pela iniciativa privada. A intenção é requisitar suporte da administração municipal junto com o departamento de trânsito, para que auxilie com a sinalização dos entroncamentos para uma passagem segura da locomotiva.

O vereador destacou que o Instituto pretende fazer um trabalho social com os moradores da localidade do Stenghel. Segundo ele, as famílias que moram naquela região, atualmente vivem em vulnerabilidade social. Está sendo feito um cadastro das famílias e a intenção é buscar uma parceria com a prefeitura para ceder uma assistente social para atender aos moradores.

VÍDEO: PARTE DO TRECHO ENTRE PORTO UNIÃO E A LOCALIDADE DO STENGUEL

Trilhos Ferroviários

Reportagem da Revista Exame de 2018, diz que o Brasil não usa quase um terço de seus trilhos ferroviários, além de deixar apodrecer boa parte da pouca estrutura que possui nessa área. Os dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) apontam que, dos 28.218 quilômetros da malha ferroviária, 8,6 mil km – o equivalente a 31% – estão completamente abandonados. Desse volume inutilizado, 6,5 mil km estão deteriorados, ou seja, são trilhos que não poderiam ser usados, mesmo que as empresas quisessem.

Curiosidade

– Um vagão graneleiro comporta, em média, 100 toneladas de grãos, enquanto um caminhão bi-trem transporta apenas 36 toneladas, segundo o comparativo de especialistas do ramo, ouvidos pela Revista Exame. Mesmo assim, o país tem mais de 300 mil quilômetros de rodovias, e pouco menos de 30 mil quilômetros em ferrovias.

Benefícios das ferrovias sobre as rodovias, segundo os especialistas que falaram no Congresso Brasil nos Trilhos em 2018:

– Redução de conflitos urbanos (menos atropelamentos e menos congestionamentos dentro das cidades);

– Redução de acidentes;

– Aumento da capacidade de transporte (já que os vagões comportam mais carga que os caminhões);

– Redução do custo de transporte ferroviário em relação ao atual, devido à maior eficiência operacional propiciada pelos investimentos;

– Redução da emissão de poluentes devido à migração de cargas da rodovia para a ferrovia.

Instituto Cultural Grünenwald

O grupo nasceu em 1998, com objetivo de resgate da cultura alemã. Os membros passaram a se reunir sempre as segundas-feiras para cantar, e então foi crescendo. Em 5 de janeiro de 2009 foi oficialmente fundado como: Instituto Cultural Grünenwald, e hoje é uma entidade reconhecida pelo seu trabalho em festas, eventos e várias atividades culturais no município e na região.

Entre as principais atividades do grupo se destacam: apresentações de canto, música e dança alemã; ajudar no desenvolvimento do turismo e da cultura alemã; intercâmbio cultural; participação na principal festa de Porto União, a Festa do Steinhaeger e do Xixo; Festa das Etnias; Dia da imigração Alemã; Promover a gastronomia típica alemã, entre outros.

Nota da redação

A lembrança é de 2008, quando alguns de nós, da reportagem de O Comércio, tivemos a oportunidade se ocupar um dos assentos da Maria Fumaça e deslizar sobre os trilhos, ouvir o apito, sentir o aroma da lenha queimando na caldeira da Maria-Fumaça e de conferir a natureza do local, que nunca nos foi explorado. Foi um passeio organizado pela Associação dos Amigos do Trem, direcionado a imprensa e as autoridades locais.

O passeio partiu da Estação Central de União da Vitória até a Estação de Engenheiro Mello, onde na plataforma acontecia a exposição de artísticas plásticos do Vale do Iguaçu e vendas de lanches. Do que recordamos, foi pouco mais de uma hora de uma viagem ao passado.

Para muitos, foi a primeira vez de um passeio no trem. É claro que o passeio foi movido com o relato da Guerra do Contestado, que foi um conflito armado que aconteceu entre 1912 a 1916 nos estados de Santa Catarina e Paraná. Os impasses foram causados por disputas de terra entre os dois estados e devido a isso ficou conhecido como Contestado.

Em breve, você leitor mais experiente também poderá ter essa oportunidade de reviver o passado. Já os mais novos poderão ter a primeira experiência de algo que fez parte da nossa história.

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