O que o Direito Penal tem a ver com o Instagram?
Para o advogado Allan Cesar Scheibe, de 34 anos, a resposta está no engajamento. Atuante no Vale do Iguaçu desde 2014, ele encontrou nas redes sociais uma forma criativa de aproximar a população dos temas jurídicos.

Nos últimos dias, seus vídeos no formato reels ultrapassaram 2,5 milhões de visualizações, alcançando mais de 1,3 milhão de contas em todo o país. (allanscheibe.adv)
Em entrevista à reportagem, Allan contou que a paixão pela área criminal surgiu aos poucos.
“Comecei atendendo casos nas áreas criminal, de família e cível. Com o tempo, fui tendo mais resultados com o criminal e me apaixonando. Hoje me dedico totalmente a isso e faço pós-graduação em Direito Processual Penal pela ABDConst”, explica.
Segundo ele, o que mais o atrai na área é a possibilidade de oferecer dignidade a quem enfrenta um dos piores momentos da vida: responder a um processo criminal. E foi justamente o contato com esse universo que inspirou seu conteúdo digital.
Do júri ao feed
A virada no perfil de Allan aconteceu há cerca de dois meses, quando ele publicou um vídeo com dicas para mulheres consultarem antecedentes criminais de parceiros.
A publicação viralizou, ultrapassando 1,8 milhão de visualizações.
“A partir dali percebi que poderia engajar oferecendo informações úteis para o dia a dia das pessoas”, conta.
Apesar da linguagem acessível e bem-humorada, Allan reforça que trata o Direito com seriedade.
“Muita gente é presa sem nem saber que cometeu um crime. Trago leveza nas redes, mas sempre com responsabilidade”, diz.

Rotina sem rotina
Allan descreve a atuação na advocacia criminal como intensa e imprevisível.
“Não tem rotina. Cada processo é uma história. Atuo em delegacias, operações policiais, audiências, júris, mandados de prisão e pedidos de liberdade”, relata.
Nos últimos anos, passou a atuar também em casos de homicídio.
“Esperei ter mais experiência antes de ir para o tribunal do júri”, afirma.
Com o crescimento nas redes, seu perfil saltou de cerca de 2 mil seguidores para mais de 6.600 em dois meses, atraindo estudantes de Direito, colegas de profissão e seguidores de vários estados.
Apesar disso, Allan mantém a produção dos vídeos de forma simples.
“Faço tudo sozinho, desde a gravação até a edição. Às vezes, minha companheira Crissie me ajuda a filmar. Os aplicativos hoje facilitam muito”, brinca.
Direito para todos
Allan acredita que a população ainda desconhece muitos de seus direitos, especialmente na esfera penal. E é justamente aí que ele quer atuar: informando, orientando e alertando.
“O crime destrói vidas e famílias. O que eu diria para as pessoas é: se afastem dele. Meu objetivo é usar o conhecimento para ajudar, seja na delegacia ou no Instagram”, finaliza.