Moradora relata como encontrou filhote de jaguatirica dentro de casa

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Atualizado há 3 meses

A residência da moradora Irmgard Luiza Buss, na localidade de Santa Cruz do Timbó, interior de Porto União, foi palco de uma situação inusitada na noite da última terça-feira, 9.

Um filhote já crescido de jaguatirica (Leopardus pardalis) apareceu dentro da casa e acabou sendo resgatado pela Polícia Militar Ambiental de Porto União.

Segundo a PM Ambiental, o felino não apresentava ferimentos graves, porém demonstrava sinais claros de manejo humano, o que indica que pode ter sido mantido ilegalmente em cativeiro antes de ser abandonado.

O animal foi recolhido e encaminhado, ainda na tarde de terça-feira, para uma clínica veterinária conveniada em Rio Negrinho (SC), onde permanece sob avaliação.

A expectativa é que, após acompanhamento especializado, o filhote passe por um processo de reabilitação, com a possibilidade de retorno ao habitat natural, caso apresente condições adequadas.

“Ele pulou direto no meu colo”, relata moradora

Irmgard contou que o episódio começou por volta das 19h50, enquanto estava sentada em casa, utilizando o computador e tomando chimarrão. Segundo ela, o animal surgiu repentinamente e entrou pela porta.

(Arquivo Pessoal)

“Eu vi duas pernas rajadas passando por entre a cadeira. Quando estiquei a cabeça para olhar, o bicho veio direto na minha direção e praticamente pulou no meu colo. Eu só saí e dei um grito: ‘o que é isso?’”, relatou.

De acordo com a moradora, o filhote demonstrava comportamento totalmente dependente de humanos, tentando permanecer dentro da casa o tempo todo. Mesmo após ela apagar as luzes, acreditando que o animal seguiria seu caminho por ser noturno, ele passou a madrugada rondando as portas e pedindo para entrar.

Durante a madrugada, Irmgard entrou em contato com a central de emergência da Polícia Militar e foi orientada a procurar o Corpo de Bombeiros e a Polícia Ambiental. Como a PM Ambiental não possui plantão noturno, ela precisou aguardar até o amanhecer para que o resgate fosse realizado.

“Ele estava agarrado na minha perna o tempo todo. Eu senti que estava com fome, dei um pouco de leite e depois carne. Ele chegou a deitar em cima do fogão, que estava quente”, destacou.

Indícios de abandono e crime ambiental

Irmgard acredita que o animal tenha sido abandonado propositalmente nas proximidades de sua casa, por pessoas que sabiam que ela costuma acolher animais domésticos.

“Quem recolheu esse filhote desde pequeno cometeu vários crimes. Tirou da mãe, ou matou a mãe, e não avisou as autoridades. Depois, ao invés de entregar o animal, resolveram abandonar à própria sorte”, afirmou.

Ela também observou que o felino estava bem alimentado e com carrapatos ainda pequenos, o que indica que havia saído recentemente de um ambiente controlado e não estava há muito tempo na mata.

Veterinário alerta: criar animal silvestre é crime

O médico-veterinário Stanley Viliczinski, especialista em fauna silvestre e credenciado pelo IMA-SC, realizou uma avaliação preliminar e confirmou que o filhote apresenta traços típicos de animal mantido em cativeiro.

“É um jovem de jaguatirica que precisará passar por um processo longo e delicado de reabilitação. O contato prolongado com humanos prejudica habilidades essenciais, como caça e defesa. Manter animal silvestre em casa é crime ambiental”, explicou.

O veterinário reforça que, ao encontrar filhotes silvestres, não se deve recolher o animal. A orientação é acionar imediatamente a Polícia Ambiental.

Importância da denúncia

A Polícia Militar Ambiental reforça que capturar, criar ou abandonar animais silvestres é crime, além de comprometer seriamente a saúde física e comportamental das espécies. Informações sobre manutenção ilegal de fauna devem ser denunciadas.

A jaguatirica é um felino de porte médio, ágil e solitário, típico de áreas de mata. Apesar de não estar entre as espécies mais ameaçadas, sofre com perda de habitat, atropelamentos e ações humanas ilegais.

Jaguatirica resgatada em Porto União pode ter sido criada em cativeiro