Morreu nesta segunda-feira, 11, Ana Julia Alves, de dez anos, há meses internada no Instituto do Coração (Incor) em São Paulo.
Ela aguardava um transplante de coração, o que foi possível com a doação feita com o consentimento da família do canoinhense Elian Roberto Santiago, que teve morte cerebral constatada aos 22 anos, depois de uma semana internado no Hospital São Vicente de Mafra por causa de um acidente de trânsito.
Ana Julia nasceu com uma cardiopatia complexa congênita. Com menos de 2 anos de idade ela fez a primeira cirurgia e ao longo dos anos seguintes muitos outros procedimentos, alguns invasivos.
Em julho de 2024, depois de muitos exames e reuniões com as equipes especializadas, foi decidido optar pelo transplante de coração já que a menina estava inoperável devido a evolução da doença. Em 10 de julho do ano passado, ela foi oficialmente listada com prioridade na lista de espera por um coração. O caso dela evoluiu rapidamente e ela precisou ser internada, passando a receber medicamento que ajudava o coração fraco a trabalhar enquanto Ana aguardava um novo coração.
O coração chegou no dia 2 de agosto, quando uma verdadeira operação de guerra permitiu que o coração de Elian fosse levado até o Incor. A cirurgia foi bem-sucedida, considerada um sucesso pelos médicos. O quadro da menina, porém, já havia se complicado e ela acabou tendo um acidente vascular cerebral (AVC) nesta segunda-feira, 11, levando-a à morte cerebral.

ELIAN
Apesar de ter nascido em Canoinhas, quando sua mãe morreu, Elian foi viver com familiares, ainda criança, em São Bento do Sul, onde morava desde então. Ele tinha 7 anos quando mudou de cidade.
Elian teve a morte cerebral confirmada após um grave acidente de moto na SC-418, em São Bento do Sul. Ele passou dez dias internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) antes de falecer. A confirmação da morte cerebral foi dada em 1º de agosto.
Em um gesto de solidariedade, a família de Elian decidiu autorizar a doação de seus órgãos. O coração dele foi destinado à Ana, enquanto fígado, rins e córneas foram utilizados por pacientes em Santa Catarina.
A logística para a captação dos órgãos contou com o apoio do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina e da aeronave Arcanjo-03, que transportou a equipe médica de São Paulo até Mafra. Essa operação foi fundamental para garantir que os órgãos fossem transportados em tempo hábil para o transplante na criança receptora.
O corpo do canoinhense foi cremado no Crematório Catarinense de Jaraguá do Sul. Ele deixa enlutados irmãos, cunhados, sobrinhos e demais parentes e amigos. A mãe é falecida.