Questionar, ajuda a educar?

MarcosXTadeuXGrzelczak
Marcos Tadeu Grzelczak, Diretor da UnC. Campus Porto União

Você com certeza, já deparou-se com a situação de alguém cobrando-lhe o retorno à uma informação enviada por um aplicativo qualquer.  E por incrível, que isso pareça, cada vez mais rápido estamos sendo cobrados, em relação à velocidade de retorno às informações e se estas informações não chegam logo, começa o desespero, o frio na barriga, o sofrimento. A paciência coletiva está reduzindo?

Pois bem, isto pode segundo a alguns especialistas, estar relacionado à síndrome do pensamento acelerado e para outros à situação de um quadro de ansiedade. Estatísticas mostram que estamos adoecendo.  Em seu best seller, Daniel Kahneman que já foi Nobel de economia, comenta sobre os dois sistemas cerebrais que coordenam nossas ações: um sistema rápido e outro devagar. Rápido e Devagar: duas formas de pensar, este é o nome do livro, fazendo a analogia ao sistema nervoso, que controla nossas ações gerenciais durante o dia todo, pela ação de dois sistemas que controlam a mente – o pensamento rápido, intuitivo e emocional e o devagar, lógico e ponderado.

Certamente você está ansioso ao responder uma mensagem de celular o mais rápido possível ou solicitando a resposta e acessando o e-mail com a maior brevidade, incontáveis vezes. Isto é um sinal de que o sistema rápido está predominante. Estas e outras ações são exemplos clássicos que temos dificuldades em gerenciar, nossas emoções, nossas ações e comportamentos. Como a escola é uma extensão da nossa casa, e quando falo escola, por favor, estou me referindo a todos os níveis de ensino, percebo que estamos perdendo a possibilidade de manter a concentração, em produzir discussões ou em simplesmente ler um parágrafo sequer. Apenas reproduzir! Este é um conceito básico nas mídias, ou aplicativos.

Estamos numa época de transição, onde prevalece a estrutura arcaica da educação: você está sentado atrás de outra pessoa, em colunas e o professor esbraveja lá na frente, tentando ser ouvido pelo aluno do fundo, enquanto na mesma aula, associado ao pó do giz espalhado pelo ar, pelo esforço do professor, a tecnologia já permite que eu mande e receba informações e fotos de um amigo que mora do outro lado do planeta. Proibir tudo isto? Acredito que não! Esta não é a opção. As tecnologias podem e devem apresentar-se como auxiliar, como recurso na aprendizagem. Aprender a utilizar tudo isto, com certeza são conteúdos das chamadas metodologias ativas.

Mas então de quem é a culpa? Como a maioria dos problemas ela é minha. Deixar-se levar por assuntos sem interesse, ou simplesmente mal administrar o nosso tempo é a problemática. Todo este processo de reproduzir, sem refletir é o que faz com que mal chegamos ao final de um texto, tiramos nossas próprias conclusões sem alcançar as conclusões do autor e já replicamos o texto à frente. Sem falar que reproduzir, sem pensar é menos desgastante para nosso cérebro, no seu aspecto metabólico.

Vamos utilizar o nosso raciocínio, nossa criticidade, para evitar que este mundo de alienação que criamos, não nos surpreenda mais tarde, quando nos for exigido inteligência e capacidade de liderança.

Por isso, questione! Busque a fundamentação para uma notícia que você irá passar adiante, administre melhor o seu tempo gastando-o com a família, amigos e um bom vinho! E é claro: exercite-se!

Prof° MSc. Marcos Tadeu Grzelczak

Diretor de Campus

Universidade do Contestado/UnC.

Campus Porto União

0 COMENTÁRIOS

Deixe uma resposta