Incêndio do Hotel Neumann: caso Schumann pode ter reviravolta

Dois homens, moradores do hotel incendiado, são suspeitos de matar dentista e atear fogo no local

O inquérito policial civil que investiga a morte do dentista Gilberto Schumann, ainda não foi concluído pelas autoridades policiais da 4ª SDP, mas pelos menos dois suspeitos de matar Schumann e atear fogo no antigo Hotel Neumann para ocultar o cadáver e apagar rastros estão presos. As prisões são temporárias e valem por 30 dias, mas podem ser convertidas em prisão preventiva, por tempo indeterminado.

A informação é do delegado-adjunto da 4ª SDP, Rafael dos Santos Pereira, que comanda as investigações sobre o caso. Os dois homens presos moravam no local e tinham relação direta com a vítima. O incêndio criminoso aconteceu há 31 dias, no dia 12 de junho, na Rua Dr. Cruz Machado, 597, no centro de União da Vitória, e consumiu rapidamente a construção antiga em madeira. O corpo do dentista foi encontrado no local, carbonizado.

Já nas primeiras horas após o sinistro, quando ainda havia expectativas sobre o laudo do Corpo de Bombeiros que apontaria as causas do incêndio, a Polícia Civil já estava atrás dos moradores e frequentadores do local. Enquanto isso, no Instituto Médico Legal (IML) de União da Vitória, o médico legista, Carlos Moura, já sabia que Schumann foi ferido com dois golpes de um objeto contundente, possivelmente faca, no abdômen e na perna. No entanto, esses dois ferimentos não seriam suficientes para levar Schumann à morte. Na região da cabeça, muito prejudicada pelo incêndio, havia sinais de que a vítima foi golpeada com algum objeto. Ele foi morto em seu próprio quarto e depois o local foi incendiado.

A linha investigativa

Os dois suspeitos tiveram suas prisões temporárias decretadas pela justiça a pedido do delegado Rafael porque entraram em contradição a cada depoimento dado à polícia, inclusive omitindo informações. A polícia espera que nas próximas horas aconteça uma confissão do crime e qual foi a participação dos suspeitos na morte do dentista.

Latrocínio e não drogas

A principal linha de investigação aponta para um latrocínio, que é o roubo seguido de morte. Conforme outros moradores ouvidos, dias antes do crime, Schumann recebeu os alugueis de todos os inquilinos e estava com dinheiro. Os moradores sabiam quando o dentista estava em casa quando viam o carro na garagem. Como o carro estava no concerto, os suspeitos pensaram que a vítima estava em viagem. O delegado disse que isso pode ter motivado um plano de arrombamento (furto qualificado).

Havia, em um primeiro momento, suspeita de que o crime poderia estar relacionado com drogas, o que aparentemente está descartado pelo rumo das investigações, baseado nos depoimentos dois suspeitos presos. O delegado responsável pelas investigações optou por não conceder entrevista para a reportagem de O Comércio porque, segundo Rafael, as investigações estão perto da conclusão, mas as provas ainda estão sendo produzidas.

Relembre o caso

O antigo Hotel Neumann, centro de União da Vitória, ficou destruído após um incêndio no fim da tarde de terça-feira, 12 de junho. Uma grande cortina de fumaça se formou no local sendo vista de muito longe. Caminhões do Corpo de Bombeiros de União da Vitória e Porto União foram até o local para tentar controlar as chamas. Por pouco, o fogo não se alastrou para o hospital APMI, que fica ao lado. O fogo tomou conta da parte superior do prédio que era de madeira. Equipes da Policia Militar de União da Vitória se mobilizaram para controlar o trânsito que ficou intenso no período do incêndio. Eram inúmeros veículos circulando para ver o que estava acontecendo, além de pessoas pelas calçadas. O Instituto Médico Legal (IML) de União da Vitória confirmou na manhã de quarta-feira, 13, que um corpo foi localizado no incêndio e que era Gilberto G. Schumann, 53 anos. Schumann, conhecido como Nêne, era dentista e bastante conhecido na cidade e deixou duas filhas.

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