Por Mariana Honesko

A Vigilância Sanitária de União da Vitória confirmou nesta semana a identificação das larvas e das pupas encontradas no dia 9. O material estava em uma fonte desativada, nos fundos de um estabelecimento comercial, no centro da cidade e, de fato, trata-se da família do mosquito transmissor da Dengue, o Aedes aegypti.
O encontro, ainda que revele o trabalho dos agentes de combate à doença, denuncia a falta de atenção da comunidade. As sete larvas e as duas pupas – último estágio antes da transformação em mosquito – estavam juntos, na base da fonte, com apenas uma pequena porção de água. “Estavam em um local em que não se espera encontrar”, pontua o responsável pelo programa em União da Vitória, Wagner de Moura Santos.
Assim como ocorreu na região entre os bairros Rocio e São Basílio Magno no início do mês, a observação mais apurada de outros possíveis casos envolve 300 metros no entorno do foco. Também como nos bairros, a medida vai precisar da ajuda da equipe de Porto União: o novo foco fica próximo da divisa dos municípios.
Ainda que um número considerável, as larvas ainda não representam sinais de maior perigo. “O vetor foi encontrado. Esperamos que não tenhamos pessoas doentes”, alerta Wagner. A partir disso, uma nova etapa de trabalho será desdobrada: se houver doentes, é sinal de que o mosquito está em circulação. As equipes, porém, seguem em alerta.

Histórico e perfil
O comportamento tem se repetido. Conforme a Vigilância Sanitária (VISA), há um ano, outras larvas foram encontradas em locais e datas similares. O foco na cidade, ao contrário do perfil da maioria das regiões brasileiras, é um pouco diferente: os meses de março à maio, exigem mais atenção das equipes de combate. Em 2013, inclusive, larvas já haviam sido encontradas nos bairros São Basílio Magno e Rocio.
A presença de larvas e pupas na região não é natural. Provavelmente, de acordo com a VISA, eles chegaram de maneira passiva. “Caronas”, a bordo de vasos de flores, caminhões e ônibus, por exemplo, são bastante comuns. A espécie é resistente e um único ovo pode sobreviver até 450 dias longe da água. Tão eficaz quanto sua força é a rapidez de sua reprodução: bastam 30 minutos para que a larva “nasça” e dez dias para que o ciclo esteja completo.
Mosquito bem longe de casa
Manter o mosquito longe é simples e rápido. Material criado pela Sesa e já disponível em União da Vitória garante que em dez minutos por semana, é possível manter a casa livre da Dengue. O checklist é prático e pode ser feito sempre. Entre as sugestões, a principal é eliminar todos os recipientes que possam acumular água, limpa ou suja. A medida vale até para algumas plantas. É o caso das Bromélias, que acumulam água. No caso das flores, ainda, manter pratinhos com areia é a melhor indicação. Nos cemitérios locais, placas reforçam a medida.
Pontos estratégicos na mira
Nas Cidades Irmãs, são pelo menos 80 os lugares que recebem maior atenção das equipes de combate à Dengue. Os lugares são visitados a cada 15 dias. Borracharias, cemitérios, pontos de reciclagem e ferros-velho, lideram a lista.

O ciclo do mosquito
Ovo
Quarenta e oito horas após a postura, o embrião já estão formado. Basta o contato com a água para quem em meia hora, ocorra a eclosão.
Larva
Possui quatro estágios, marcados pelo crescimento da larva. No último estágio,
caso as condições não sejam favoráveis, ela pode entrar em diapausa – um estado de suspensão do desenvolvimento – que pode durar meses.
Pupa
É o estágio intermediário, até a transformação em mosquito, de duração de dois e ou três dias. Nessa fase, ela não se alimenta e não apresenta diapausa.
Versão adulta
Em 24 horas após o nascimento já pode ocorrer o acasalamento. Cada fêmea produz em média 120 ovos. O mosquito vive entre 30 e 35 dias.
No centro, identificação de sete larvas e duas pupas deixa agentes de combate em alerta. Pedido é para mais atenção ao que se tem em casa