DENGUE: perigo iminente

Apesar de ser região modelo para os estados do Paraná e Santa Catarina, Cidades Irmãs não estão imunes ao vírus. Crescente registro de casos importados deixa em alerta Vigilância e setores da Saúde

Em Porto União agentes da Vigilância Ambiental percorrem casas em busca de possíveis criadouros. Somente nesta semana foram oito quarteirões vistoriados (Bruna Kobus/Jornal O Comércio)
Em Porto União agentes da Vigilância Ambiental percorrem casas em busca de possíveis criadouros. Somente nesta semana foram oito quarteirões vistoriados (Bruna Kobus/Jornal O Comércio)

Não é coisa rara encontrar um pneu cheio d’água ou uma planta se tornando o ambiente perfeito para a criação de larvas e mosquitos. Até poucos meses, talvez meio ano para as autoridades da Vigilância Sanitária e Saúde, União da Vitória e Porto União registravam possíveis criadouros num ritmo lento, eram poucos e já havia endereço certo. Nos cemitérios, nos bairros Rocio e Cidade Novo, do lado catarinense. No entanto o cenário mudou, os focos começaram a se espalhar por toda a cidade e o título de única regional do estado do Paraná a não registrar casos autóctones – quando é contraído o vírus na cidade onde mora – ou de única cidade, no caso de Porto União, a não registrar casos do gênero numa regional de saúde quase tomada pelo mosquito Aedes Aegypti, não vem trazendo garantia alguma para Vigilância e agentes comunitários que visitam as casas regularmente.

Fóruns já foram criados, orientações dadas, visitas são feitas, contudo o cuidado não corresponde ao tamanho do perigo. Uma parcela da população vem fazendo o trabalho de casa, virando pratinhos de plantas ou colocando areia, tirando água acumulada em flores, se desfazendo dos entulhos que além da água é ambiente perfeito para procriação de escorpiões e ratos. Mas, segundo a Vigilância Sanitária de União da Vitória boa parte da população não dá a devida importância ao problema. “Temos o mosquito e o vírus que vem com pessoas infectadas em outras cidades”, comenta Graziele, funcionária da Vigilância. “Caso o mosquito daqui acabar picando uma pessoa que veio com a dengue, ele acaba contraindo e pode começar a infectar mais pessoas.”

Conforme a Vigilância é preciso dez dias para que um único mosquito consiga espalhar o vírus. “A gente acaba ficando cercado e o único trabalho que deve ser feito agora é o controle.”

As chances de as Cidades Irmãs começarem a registrar casos autóctones não são remotas, muito menos distantes. A 80 quilômetros de Porto União a cidade de Canoinhas registrou um caso autóctone no final de 2015. Pouco antes das viagens de final de ano o litoral catarinense entrou em alerta máximo. Somente em Balneário Camboriú foram 20 casos contraídos dentro da cidade. Lembrando que boa parte dos turistas que seguiram para o litoral são da região.

Outro alerta para a Vigilância é a rota do Mercosul, que cruza as duas cidades. “Estamos em uma linha limítrofe, que vem caminhões de todo o País e param nas indústrias”, reforça Ocimar Olivetto, coordenador da Vigilância Ambiental de Porto União. “Caminhões que vem de áreas, inclusive, que estão tendo a incidência maior desse tipo de mosquito. Então é necessário que haja essa preocupação. ”

GRsa44653Controle e casos

Em entrevista ao Portal Vvale há um mês, o coordenador de endemias da Vigilância Sanitária de União da Vitória, Wagner de Moura, confirmou que em junho de 2015, um caso importando do chikungunya, que é transmitido – também – pelo Aedes, foi confirmado na cidade. O paciente, um caminhoneiro, mora em União e fez uma viagem a Bonito em Mato Grosso do Sul. Por lá foi picado e os primeiros sintomas começaram quando ele retornou para casa. Outro caso da 6ª Regional de Saúde, também importado, foi em Bituruna em outubro passado.

O chefe da 6ª Regional de Saúde de União da Vitória, Dr. Henrique César Guzzoni, falou sobre o caso com o Portal Vvale, relembre

Para Wagner, apesar de o caso não ter sido autóctone a possibilidade de o vírus se espalhar é iminente. Já que os focos do mosquito Aedes vêm sendo registrados em lugares onde antes não se tinha conhecimento. “Começamos a encontrar focos em 2013 com maior frequência nos bairros São Basílio e no Rocio, mas agora tem em outros lugares, na área central, no São Bernardo”, comenta Wagner.

Ainda segundo os relatórios da Vigilância de janeiro a novembro de 2015, 12 focos foram encontrados. Em sua maioria, são encontrados em pneus e entulhos de lixo dentro de terrenos particulares. Pensando nisso a Vigilância trabalha em parceria com os agentes comunitários de saúde.

Os agentes são os primeiros a entrar em contato com o espaço onde está o foco e são eles os responsáveis pela primeira orientação nas casas. A Vigilância de União também trabalha com a fiscalização feita pelos agentes de endemias. Essas são dividias por ciclos, três deles, praticados em quatro meses. As visitas deste ano retornam na próxima semana. Em casos que o morador impeça a entrada dos agentes o Ministério Público pode ser acionado. “É raro, mas a gente pode fazer um pedido para o MP quando a pessoa não deixa o agente entrar para a vistoria e sabemos que existe um foco perigoso no local”, comentou Wagner na ocasião.

Do lado catarinense o monitoramento é semanal em 142 armadilhas. A rede de armadilhas é montada a partir de pneus, que são colocados em lugares estratégicos, para que o mosquito bote o ovo naturalmente. Há, também, os pontos naturais de reprodução do mosquito que são monitorados a cada 14 dias. Ainda na rede de armadilhas, elas são montadas em pontos estratégicos a cada 200 metros uma da outra.

Cuidados

Os básicos já repetitivos, mas não menos importantes. Para Ocimar da Vigilância de Porto União é necessário parar, ao menos, 10 minutos por dia, para fiscalizar a casa. “É necessário perder esses minutos para cuidar da casa, estamos cuidando da saúde”, comenta. “E nem é perder tempo estamos investimento no futuro.”

Não deixar água acumulada, seja em flores, potes, pneus, jardim ou calhas. No cemitério, nada de flores de plástico, elas são um vilão no acúmulo de água.

 

Serviço e denúncias

Os atendimentos às residentes do lado de União retornam na próxima semana.

Para denúncias de focos do mosquito o telefone 3903-1606 está disponível. Em Porto União o atendimento é feito pela Vigilância Ambiental, no telefone 3523-9836. A equipe só faz visitas quando há suspeita de criadouros. Do contrário o monitoramento é feito semanalmente pelas armadilhas.

Em caso de confirmação do foco, a área é isolada em cerca de 300 metros e monitorada seguidamente até que não exista mais ameaça.

 

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