Milho no Monjolo – 28 de Julho de 2020

O JOVEM MÉDICO

“Dr. Nelson Malheiros de Araújo, médico, nasceu em 1906, foi aluno da Professora Amasilia – Amasília Pinto de Araújo, morava no antigo Hotel Paraná em União da Vitória e faleceu em 1948, aos 42 anos em condições bastante suspeitas. O profissional Dr. Nelson Malheiros de Araújo foi chamado ao lupanar de Sofia Dresch, na Rua Cruzeiro, para atender a menina Zilda dos Santos (13 anos), que estava sendo mantida em cárcere privado e servindo de pasto durante algumas noites para alguns senhores endinheirados.  O Dr. Nelson  Malheiros de Araújo se deslocou até a zona boêmia, examinou a menina e constatou que devido a violência sexual, ela teria sofrido uma hemorragia aguda e que era impossível tratar naquele local, pedindo o seu internamento imediato. Mas, com o internamento o crime seria logo descoberto, então a solução seria matar a Zilda dos Santos, e foi feito pelos covardes assassinos que não merecem, sequer o título de seres humanos e indignos de conviver no seio da sociedade. Os algozes ainda tinham um problema, o médico que sabia demais, e o crime poderia ser descoberto. Dr. Nelson Malheiros de Araújo que todas as noites tomava seu cafezinho no Bar e Café do Isaltino, na Praça Hercílio Luz, sempre contava que iria depor na Polícia e fazer a denúncia. Passou-se alguns dias e foi encontrado pelo Sr. Nicolau Abrão, amarrado e morto no Rio Iguaçu. A justiça implacável que pune os malfeitores e dá o merecido castigo aos que transgridem os invioláveis preceitos da lei dos homens foi na época apenas uma miragem, deixando os abutres, ceifadores de vidas inocentes soltos, pronto para cair como canibais em novas vítimas. Não houve justiça!…”. (Texto de Mariano Filho, com fotografia do Jovem  Médico, postado no Livro de Rosto). Anotação: Na época, a inesquecível jornalista Lulu Augusto escreveu, produziu e atuou na rádio novela “O Crime do Iguaçu”, levada ao ar pelos microfones da extinta Rádio Difusora União. Mas, em razão de uma ordem judicial, o último capítulo não foi apresentado porque nele seriam revelados os nomes verdadeiros dos “figurões”.

LUTO

Na madrugada da última sexta-feira, dia 24, em Curitiba, Paraná, morreu o  cronista esportivo e velho amigo José Leocádio Vieira, o “Cadinho”, aos 87 anos de idade. Nascido no dia 09 de fevereiro de 1933, em Ponta Grossa, Paraná, José Leocádio Vieira em sua trajetória profissional tornou-se um dos principais nomes da história da crônica esportiva da Beira do Iguaçu. Ainda adolescente, iniciou na imprensa falada como sonoplasta na extinta Rádio Difusora União, ZYD-3, “a Pioneira do Vale”, hoje Central Brasileira de Notícias-CBN. Naquela emissora foi narrador e repórter esportivo. Depois passou pelo elenco da  Rádio Colmeia, de Porto União, Santa Catarina. Na imprensa escrita, José Leocádio Vieira fez história no Jornal O Comércio. Era dele a Coluna “Cantinho da Saudade”. Por último, assinava a Coluna “Cantinho do Pescador”, no  Jornal Caiçara. Nesse Jornal, além de notícias do esporte local, compartilhava grandes histórias dos bastidores que marcaram época aqui na Beira do Iguaçu. Ele ainda fez parte da história do jornal O Comércio: Como colunista  esportivo foi um dos responsáveis pela criação da Associação Atlética Iguaçu, em União da Vitória, Paraná. Em uma de suas Colunas, escreveu que era necessário um time profissional. Na época, o forte era o futebol amador. A Coluna chegou ao conhecimento do Coronel Ricardo Gianordolli, Comandante do 5º Batalhão de Engenharia de Combate Blindado, o Batalhão “Juarez Távora”. O Coronel chamou-o  para uma conversa. Em seguida, no dia 15 de agosto de 1971, nascia a Associação Atlética Iguaçu, a aguerrida Pantera Azul-Amarela. Lamentavelmente, não alcançou publicar o seu livro sobre a “História do Futebol Amador em União da Vitória-PR e Porto União-SC”. Já está quase pronto! Sentidas condolências aos seus familiares. Vá em Paz meu caro amigo “Cadinho”!

 Beira do Iguaçu, Julho de 2.020

Odilon Muncinelli é Membro da ALVI e do IHGPr